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"Contos Populares Portugueses", do IILP

Brito-Semedo, 24 Out 10

"Quem conta um conto, acrescenta um ponto"

 

Como a própria denominação indica, o conto popular possui as suas raízes no povo, numa camada mais rural do que urbana. Trata-se, pois, de uma literatura tradicional de transmissão oral, da qual também fazem parte provérbios, adivinhas, canções, lengalengas, jogos de palavras...

  

Até há cerca de um século, os contos tradicionais portugueses só existiam na memória das pessoas e eram transmitidos oralmente, de pais para filhos. Hoje, existem várias recolhas escritas, sendo a primeira Os Contos Populares Portugueses, feita por Adolfo Coelho (Coimbra, 1847-1919), em 1879. Seguiram-se-lhe a de Teófilo Braga (Ponta Delgada, 1843-1924), Contos Tradicionais do Povo Português, de 1883, e a de Consiglieri Pedroso (Lisboa, 1851-1910), Contos Populares Portugueses, de 1910. Mas, durante muito tempo, a grande recolha foi a de José Leite de Vasconcelos (Ucanha, 1858-1941), editada postumamente.


Para o investigador e escritor português transmontano Alexandre Parafita (2000), os contos populares fazem parte de um universo cultural que tem como suporte a tradição oral de um povo, não sendo a designação de fácil definição por se confundir frequentemente com outros conceitos, como por exemplo, a lenda e o mito. Mesmo assim, arrisca dizer que um conto popular é um texto narrativo, curto, que procura deleitar, entreter ou educar o ouvinte e que é geralmente ficcionado ou, então, de conteúdo presumivelmente verídico, sem que isso constitua factor relevante na avaliação do acto narrativo em si mesmo. É, ainda, um texto que tem uma origem anónima, faz parte da tradição oral de uma comunidade e reflecte os mais variados sentimentos da alma de um povo, os seus hábitos, usos, costumes, vícios e índole.


Embora o conto seja hoje uma forma literária reconhecida e utilizada por inúmeros escritores, a sua origem é muito mais humilde. Na verdade, nasceu entre o povo anónimo. Começou por ser um relato simples e despretensioso de situações imaginárias, destinado a ocupar os momentos de lazer.

 

Um contador de histórias narra a um auditório reduzido e familiar um episódio considerado interessante. Os constrangimentos de tempo, a simplicidade da assembleia e as limitações da memória impõem que a "história" seja curta. Essas mesmas circunstâncias determinam a limitação do número de personagens, a sua caracterização vaga e estereotipada, a redução e imprecisão das referências espaciais e temporais, bem como a simplificação da acção.

  

Dada a sua origem popular, o conto de que falamos aqui não tem propriamente um autor, entendido como um ser humano bem identificado, ainda que desconhecido. Na realidade, ele constitui uma criação colectiva, dado que cada "contador" lhe introduz inevitavelmente pequenas alterações – daí o provérbio "Quem conta um conto, acrescenta um ponto".

  

Há vários tipos de contos populares: contos maravilhosos ou de encantamento, contos de exemplo, contos de animais ou fábulas, contos religiosos, contos de adivinhação, contos etiológicos (explicam a origem de algo), contos de fadas e contos históricos.

 

A recolha que aqui é apresentada contempla dez contos tradicionais, seleccionados e adaptados por Américo Correia de Oliveira: (1) Pastorinha Mana, (2) A Menina do Chapelinho Vermelho, (3) A da Varanda, (4) A Raposa e o Lobo, (5) Frei João Sem Cuidados, (6) Dom Caio, (7) As Crianças Abandonadas, (8) Caiu-me na Minha Catulinha [Cabecinha], (9) As Adivinhas em Anexins [Provérbios] e (10) O Tolo e as Moscas.  Oito deles vêm das recolhas de Teófilo Braga e enquadram-se, grosso modo, nos diferentes tipos acima referidos.

 

Merece uma referência as bonitas e sugestivas ilustrações de Alex Goz Blau, que recriam o imaginário expresso por esses contos.

 

A nosso ver, esta recolha tem o mérito de vir a fazer circular dentro do espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP,  um pouco da “alma” do povo português, contribuindo, assim, para um seu melhor conhecimento dentro dos Oito.

 

- M. Brito-Semedo

 

Título: Literatura Oral: Contos Portugal

Coordenação: Amélia Mingas
Ilustração: Alex Goz Blau

Prefácio: M. Brito-Semedo

Edições: IILP-CPLP, Praia, 2010

 

 

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