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Baptista de Sousa, Uma lenda em SV

Brito-Semedo, 19 Out 13

 

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Capitão-Médico Dr. Baptista de Sousa, Foto 1944

 

 

Poucas homenagens prestadas na nossa terra exalam tão justos propósitos como aquela que consagra a memória do Dr. Baptista de Sousa no nome dado ao actual hospital de S. Vicente – Hospital Baptista de Sousa. Nome de um médico, nome de um benfeitor cuja recordação se vai delindo, no entanto, na memória dos mindelenses, à medida que o tempo passa e as gerações se vão substituindo. Mas se o nome do Hospital é em si um meio poderoso para a perpetuação da sua memória, poucos são os que ouviram alguma vez falar do médico, a não ser entre as gerações mais velhas, que vão desaparecendo. Eis a razão por que é importante dar a conhecer quem foi o Dr. José Baptista de Sousa, oficial médico do Exército Português, e, sobretudo, o que ele fez na nossa terra.

 

José Baptista de Sousa nasceu em 2 de Março de 1904 na freguesia de Camões, em Lisboa, filho de José Augusto de Sousa e de Victoria Alves Baptista de Sousa. De 1922 a 1927, fez o curso de Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa. Depois de frequentar o respectivo curso militar, entrou para o Quadro Permanente de Oficiais Médicos do Exército, tendo sido promovido a alferes em 1929. Foi em seguida colocado em unidades do Exército e, depois, na Guarda Nacional Republicana, onde serviu de 1936 a 1942. Entretanto, concorrera ao internato de Cirurgia dos Hospitais Civis de Lisboa e fez o concurso para cirurgião dos mesmos hospitais. Foi igualmente assistente na Faculdade de Medicina de Lisboa, ao mesmo tempo que frequentava o internato de cirurgia nos Hospitais Civis de Lisboa, tudo isso em acumulação com as suas funções militares, o que demonstra uma firme disposição de alargar e diversificar as experiências e desafios da sua actividade médico-científica.


É quando prestava serviço na Guarda Nacional Republicana que, em 17 de Janeiro de 1942, ainda no posto de tenente, é nomeado para integrar as Forças Expedicionárias a Cabo Verde. Deste modo, embarca em Lisboa a 16 de Fevereiro de 1942, no vapor Guiné, com destino a S. Vicente de Cabo Verde, onde desembarca a 22 do mesmo mês. É já em S. Vicente que é promovido ao posto de capitão médico, indo exercer as funções de director do Hospital Militar Principal de Cabo Verde.

 

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Hospital Militar e Civil de S. Vicente. Foto Arquivo Histórico Nacional

 

Baptista de Sousa vai viver em S. Vicente uma das fases mais marcantes da sua vida pessoal e profissional, durante a qual deve ter encontrado o verdadeiro significado da carreira que abraçou e a sublimação dos altos valores humanos que eram parte integrante do seu ser. Ele é o médico-cirurgião dos militares mas é-o também dos civis, movido pelo seu impulso natural de pôr a sua ciência médica indiscriminadamente ao serviço de quem dela precisava. Seria por demais exaustivo enumerar as vidas que o Dr. Baptista de Sousa salvou e as malformações físicas (casos de pé boto) de civis que reabilitou com a sua técnica cirúrgica. Fez uso de intervenções terapêuticas até aí pouco utilizadas em Cabo Verde por falta de meios adequados ou mesmo por insuficiência de pessoal médico qualificado. Mas tudo fazia sem olhar a quem, fosse rico ou pobre, militar ou civil, demonstrando uma total disponibilidade e uma dedicação e humanidade sem limites.

 

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Dr. Baptista de Sousa acompanhado pelas forças vivas do Mindelo. Momento de Partida. Foto 1944.

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A acção do Dr. Baptista de Sousa durante quase 3 anos de permanência em Cabo Verde granjeou-lhe o mais alto prestígio e consideração quer entre o contingente militar quer, sobretudo, entre a população civil. Para se ter uma ideia do que alguém significa para o seu próximo, nada como a expressividade de um coração agradecido. E para se perceber isso, veremos como se soltaram as rédeas, não de um coração agradecido, mas de milhares de corações no dia em que o Dr. Baptista de Sousa deixou a ilha de S. Vicente, regressando à Metrópole, finda a sua missão militar. Isso aconteceu em 10 de Setembro de 1944. Rezam as crónicas que naquele dia a cidade de Mindelo parou em peso para acompanhar o médico ao cais de embarque. O povo concentrou-se em massa formando alas entre a sua residência, na Praça Nova, e o cais de embarque, afluindo de todas as partes da cidade e seus arredores. As janelas se escancararam e os passeios estavam pejados de gente, algumas pessoas alcandoradas em pontos dominantes para lograrem uma observação mais vantajosa. Valdemar Pereira refere o seguinte testemunho coevo que ouviu ao senhor Antoninho Santiago, funcionário dos CTT: ao sair da sua casa na Praça Nova para entrar no automóvel militar que o levaria ao cais, o médico foi imediatamente levantado e levado em ombros por figuras gradas da sociedade mindelense, ao que ele, modestamente, se procurou opor, mas sem êxito. Assim, em ombros parece ter sido conduzido até às imediações do cais, com o povo a soltar ensurdecedores e emotivos vivas ao doutor Baptista de Sousa e vivas ao “Engenheiro Humano” (1). As mulheres do povo derramavam lágrimas enquanto gritavam vibrantes palavras de saudação e apreço àquele que elas já tinham como um querido filho adoptivo da terra. Nunca se vira coisa igual em Mindelo, nunca a cidade inteira se tinha comovido tanto na hora “di bai”. Depois da despedida, calcule-se a nostalgia que deve ter ficado a pairar na cidade.

 

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Dr. Baptista de Sousa levado no andor da Praça Nova onde morava até ao Cais de Alfândega. Foto 1944.

 

Ora, para um homem ser assim alvo de tanta unanimidade no reconhecimento e no aplauso à grandeza do seu mérito e da sua acção, unindo autoridades e povo anónimo, ricos e pobres, gente de todos os estratos e condições, é porque verdadeiramente invulgar foi o modo como exerceu o seu múnus profissional em prol da comunidade local, é porque excepcional foi ele na esfera da sua humanidade e civismo. E foi assim que uma onda de emoção se formou no alto mar da “morabeza” do povo de Mindelo, atingiu altura indescritível, galgou as ruas da cidade e foi inundar de saudade o cais de despedida. A minha mãe contou-me que as sirenes de todos os navios fundeados no Porto Grande tocaram continuamente durante o embarque de Baptista de Sousa, só se calando quando o navio se perdeu da vista da imensa mole humana que o acenava incessantemente no cais e na orla do porto. O mar seria uma vez mais motor do destino luso e cabo-verdiano, esse mar que é lugar mitológico de encontro e separação; levou para longe aquele que se tornara um querido filho do povo do Mindelo. Ao tumulto da apoteose daquele dia 14 de Setembro de 1944 iria seguir-se, calcule-se, um vazio no coração da ilha, um sentimento de desamparo difícil de mitigar. O povo do Mindelo jamais esqueceria a atenção, a disponibilidade, a simpatia, a bondade e a proficiência com que Baptista de Sousa operou e recuperou tanta gente em estado clínico desesperado, salvando muitas vidas que, antes da sua chegada a Cabo Verde, estavam praticamente condenadas.


Baptista de Sousa fora alvo de muitas homenagens do povo do Mindelo nos dias que antecederam o seu regresso a Lisboa. Uma das mais significativas foi a oferta de um pequeno iate, construído nos estaleiros de S. Vicente, iate a que se deu o nome de “Morabeza”, custeado por subscrição pública na cidade, por iniciativa do conhecido industrial Manuel de Matos, dono da Fábrica Favorita. Todo o povo da cidade, rico, remediado ou pobre, contribuiu com pouco que fosse, mas a parte leonina do custo coube àquele industrial. No acto da entrega do iate, o doutor Adriano Duarte Silva, deputado por Cabo Verde, encerrou com estas exactas palavras a prelecção que proferiu: “…Quando estiverdes a velejar no Tejo, no Estoril ou em Cascais, Morabeza (nome do iate) vos fará lembrar este povo altaneiro que sabe amar e compreender aqueles que o amam e compreendem." Outra homenagem que o liga para sempre à ilha de S. Vicente é a morna “Engenheiro Humano”, da autoria de Jorge Monteiro.

 

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Dr. Baptista de Sousa no seu último adeus ao povo de S. Vicente, Foto 1944

 
Refira-se que o apreço pelo médico não resultou só do seu exercício profissional e da sua enorme bondade. Como o povo do Mindelo é particularmente sensível aos gestos de frontalidade e destemor, suscitou admiração pública a sua coragem cívica e moral quando recusou escrever em atestados de óbito que a causa de muitas mortes não era outra senão a fome que desgraçadamente assolava as nossas ilhas, contrariando o que as autoridades oficiais do Regime impunham aos profissionais da Saúde sobre o assunto. Ao proceder desse modo, Baptista de Sousa agia apenas em conformidade com a sua consciência de homem e com os valores morais que estribam a ética e a deontologia da sua profissão, certamente indiferente às consequências em que poderia incorrer na sua carreira militar. Mas não foi meramente circunstancial a atitude do médico. Ele era efectivamente um homem de espírito livre e dotado de vincada consciência política, como aliás viria a demonstrar em etapas futuras da sua vida.


Mas, como era de prever, a sua atitude de rebeldia contra a inverdade e a iniquidade viria a trazer-lhe alguns custos pessoais e atinentes à evolução justa da sua carreira militar. Excederia o âmbito desta narrativa fundamentar exaustivamente tudo o que pesquisei no âmbito do seu processo militar. É verdade que o juízo de quem analisa o conteúdo da sua folha de serviços funda-se mais na omissão do que na explicitude, busca-se mais nas entrelinhas do que na factologia do registo formal. É que no antigo regime havia formas dissimuladas de exercer a retaliação sobre alguém em termos profissionais, havendo o cuidado de minimizar a sua percepção exterior quando se trata de figura socialmente prestigiada.


De facto, como os caminhos de um regime político ditatorial não coincidem com as veredas do coração humano, Baptista de Sousa viria a sofrer as consequências de ter pisado o risco vermelho ao escrever nas certidões de óbito que a causa de algumas mortes em Cabo Verde era a fome. Viria a verificar-se, com efeito, uma sucessão de episódios futuros elucidativos do revanchismo institucional exercido sobre o oficial médico, visando prejudicar ou no mínimo restringir as condições em que poderia dar uma expressão alargada à sua actividade profissional. Por exemplo, em vez de colocado no Hospital Militar Principal, como pediu depois da missão em Cabo Verde, o que era mais que justo e oportuno, foi colocado em unidades militares, onde de modo algum se justificava a presença de um cirurgião. Só o recurso a hospitais civis, fora do horário militar, lhe foi permitindo manter elevados os seus níveis de proficiência técnica na ciência cirúrgica, sendo que se tratava de um cirurgião reputado no meio civil.


Como se não bastasse, e sem que nada o justificasse, Baptista de Sousa é “requisitado” para a longínqua Índia, para onde embarcou em 1947, destinado à Escola Médico-Cirúrgica de Goa. Se, durante uma pesquisa que eu fiz, alguma reserva intelectual pudesse ter contido a extravasão da minha conclusão sobre a vitimização política do médico, ela desfez-se completamente quando, no fim do meu trabalho, a família do médico me confessou que ele era efectivamente um opositor declarado ao antigo Regime e, nessa condição, alvo de vigilância da PIDE, que não se desarmava de o procurar apanhar em flagrante em situação comprometedora. Disseram-me os familiares que nunca o conseguiram, pelo que a única possibilidade que se lhes oferecia era prejudicar veladamente a actividade e a ascensão normal da sua carreira. Daí que a nomeação para a Índia o tenha deixado transtornado não só por injustificável à luz das regras normais de nomeação de pessoal militar como por ter sido inoportuna e altamente prejudicial aos planos profissionais que tinha em mente.


Contudo, como era de esperar, na Índia foi alvo de uma idolatria idêntica à que conheceu em S. Vicente. Baptista de Sousa viu os seus serviços na Índia altamente reconhecidos pelas instâncias governamentais e pela sociedade civil. De salientar que em Cabo Verde foi apenas louvado pelo Brigadeiro Comandante das Forças Expedicionárias, não pelo Governador da Colónia. Este teria razões que são facilmente dedutíveis, ainda que não aceitáveis à luz dos princípios da ética e da justiça.


Só a partir de 1951 Baptista de Sousa é finalmente colocado no Hospital Militar Principal, onde se manteria até 1961. Durante esse período, frequentou o Curso de Promoção a Oficial Superior e mais tarde o de Comando e Direcção (destinado a promoção a oficial general), sendo promovido aos postos de major, tenente-coronel e coronel, preenchendo as vagas normais da carreira. Enquanto tenente-coronel é nomeado subdirector desse Hospital. Promovido a coronel, seria previsível que um oficial do seu valor fosse nomeado director, mas tal não aconteceu, pelo que deixa o Hospital à data da sua promoção, em 1961, para ser colocado, para efeitos administrativos, no Conselho Fiscal dos Estabelecimentos Fabris do Exército, onde ocupa o cargo de vogal, embora continue a operar no Hospital Militar Principal. Refira-se que no Hospital Militar Principal ocupou, enquanto ali colocado, o cargo de Chefe da Clínica Cirúrgica, do mesmo passo que na vertente civil da sua vida profissional foi Chefe da Clínica Cirúrgica do Instituto de Oncologia Português.

 
Baptista de Sousa passa à reserva em 1963, por motivos de saúde. Mas se estes eram formalmente impeditivos para efeitos militares, não o eram para o exercício normal da sua função de cirurgião, pelo que continua a exercê-la tanto no Hospital Militar Principal como no Instituto Português de Oncologia. A situação mais estabilizada conseguida pelo oficial médico a partir de 1951, uma vez colocado no Hospital Militar Principal, pode ter duas explicações plausíveis. Uma, é o pressuposto de que pagara o preço da sua afronta ao Regime, depois de passar por uma fase atribulada em que conheceu a instabilidade profissional e familiar. Outra, é a circunstância de que a partir do posto de major, ou mesmo de capitão antigo, se tornava problemática, se não mesmo impraticável, à luz dos quadros orgânicos, a sua colocação em outro órgão do Serviço de Saúde que não fosse o Hospital Militar Principal.


A partir de 1964, passa a reserva mas mantém a sua actividade de cirurgião, quer no âmbito militar quer civil.


Excederia o âmbito deste texto referir os louvores e as condecorações que foram atribuídos a Baptista de Sousa. Mesmo num regime repressivo, não é possível tapar o sol com a peneira.


Baptista de Sousa, coronel médico reformado, morre no seu domicílio no dia 3 de Novembro do ano de 1967. Foi uma morte já aguardada porque passara ultimamente a padecer de uma doença que evoluía irreversivelmente, sem deixar qualquer réstia de esperança. O nosso “Engenheiro Humano” deixou a vida aos 63 anos.


A última página da sua vida foi virada, mas a vida de um justo é um livro sempre aberto e para lá do tempo. Santo Agostinho disse: “se semeias o amor em ti, só amor serão os frutos”. Por isso, Baptista de Sousa é um livro nunca encerrado, um livro onde devemos colher os frutos da semente que semeou.


O nosso “Engenheiro Humano”, o ser espiritual, uno e indivisível, está acima das conjecturas e especulações de quem, como eu, resolveu desenterrar da poeira dos arquivos o registo das coisas efémeras. Como militar que sou, procurei ser o mais objectivo possível no juízo sobre os factos com que me confrontei; como filho da terra cabo-verdiana, senti-me empolgado pelo sentimento de gratidão que todos devemos a Baptista de Sousa. Um sentimento que não podemos deixar esmorecer nem agora nem no futuro.


Agora, tudo repousa na memória e esta, felizmente, tem registos indeléveis que falam por si. A “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” regista para a posteridade a notável figura do homem da ciência médica. O “Hospital Baptista de Sousa”, inaugurado em S. Vicente pelo governo de Cabo Verde independente, é uma justa homenagem do povo cabo-verdiano, ligando-o para todo o sempre ao lugar onde salvou muitas vidas humanas. A morna “Engenheiro Humano”, singela expressão poética da gratidão cabo-verdiana, estou crente de que jamais sairá do nosso repertório musical e com ela a sua memória permanecerá sempre viva na população do Mindelo. E, por último, refira-se a rua com o seu nome, a rua José Baptista de Sousa, situada entre a rua Professor Santos Lucas e a avenida do Uruguaio, em Lisboa.


Os meus agradecimentos ao conterrâneo e amigo Valdemar Pereira pelos importantes testemunhos que me prestou e também pelas fotografias que me dispensou.


- Adriano Miranda Lima
Tomar, Portugal

 

Fotos Arquivo de Valdemar Pereira

Tours, França

 

(1) Nome que foi dado a uma morna em homenagem a Baptista de Sousa, da autoria de Jorge Monteiro.

 

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6 comentários

De Djack a 20.10.2013 às 08:38

O Adriano Lima reincide e apresenta novo texto de estalo. E sobre um camarada de "armas" que no entanto trabalhava sobretudo com o bisturi e o simpósio e não com a espada ou a pistola regulamentar. Já conhecia as fotos (aquela da bandeira do meu clube Mindelense no bote é um "must") e alguns aspectos aqui descritos, mas o desenvolvimento dado ao assunto tornou-o desta feita muito mais interessante.

O Dr. Baptista de Sousa faz parte de um conjunto de médicos militares que ficaram no coração dos cabo-verdianos (em particular dos mindelenses), entre os quais pontuam também o Dr. Augusto Regala e o Dr. António Lereno (este mais ou só em Santiago). Todos três eram pessoas de bem e dedicadas ao próximo, não só pelo juramento de Hipócrates como pelo seu especial feitio. Em inúmeros casos, o mester clínico que desempenhavam nem sequer tinha contrapartida monetária porque eles não a queriam, sabendo todos como a vida dos seus doentes era difícil em tempos de miséria. Baptista de Sousa teve nome de hospital, Augusto Regala uma pracinha no Mindelo e busto na mesma, esculpido por R. Castro em 1941 e António Lereno monumento na Praia, de Maximiano Alves nos anos 50 do século XX. Três homens bons, três homens que foram como deviam ser...

Braça congratulante para o coronel-escritor e amigo Adriano,
Djack

De Valdemar Pereira a 20.10.2013 às 10:42



Ê com grande emoção que ouço falar de tal personagem que conheci . Nunca hei-de esquecer tantos "milagres" que fez como nunca esquecerei o dia do seu embarque. Tinha eu 11 anos e era o vizinho dele. Sabia o que para ele preparavam e fui "goitar" e depois ir atrás do povareu dando "Viva o nosso Engenheiro Humano" que procurou ir a pé mas... não conseguiu. Os mais hábeis conseguiram levar-lhe aos ombros da Praça Nova ao Cais Novo de onde tomaria o butim (em vez de gasolina).
Nunca é demais falar do que fez o "Engenheiro Humano" para o povo que o queria como um fazer de milagres.
Obrigado, meu Amigo Manuel, Obrigado meu Caro Adriano por mais esta romagem de saudade. 
 
***//***
 
Se me é permitido, friso duas das muitas que contavam e que provam o quanto andavam com o seu nome..
1) O "Engenheiro Humano" veio quando diziam "Sr. dator Baptista de Sousa ta calofetà pé d'gente até vràs drête" Isto referindo aos pés botos
2) A sua criada, horrorizada, foi contar que amigos do alheio entraram em casa do benemérito e levaram quanto puderam. A noticia correu célere e no dia seguinte encontraram à porta todos os pertences.

De Valdemar Pereira a 20.10.2013 às 10:46

Oops:
 - Quis dizer "fazedor de milagres".

De Joaquim ALMEIDA a 27.04.2017 às 08:07

Falando deste " fazedôr de milagres " , que era Dr. Baptista de Sousa , conheci na Guiné Bissau onde vivi cerca de 6 anos , de 1957 a 1963 , um guineense , filho de pais caboverdianos por nome de Homero Pires , funcionàrio pùblico e excelente locutor na ràdio nacional da Guiné Bissau , que tinha aquele handicapo ainda pequeno , que nao podia andar , em que se deslocou da Guiné a Sao Vicente , afim de ser operado !.Posso-vos dizer que foi com êxito porque o rapaz voltou para Guiné , com os seus pés em condiçoes normais de andar e até chegou a jogar basquetebol , no Ténis-club  de Bissau !.Na verdade nunca serà demais falar daquele " fazedôr de milagres " , como lhe alcunhou o meu ( companhêr d ' escola ) Valdemar Pereira ; alcunha bem merecido !. Caboverdianamente ; Um Criol na Frânça ; Morgadinho !..

De FERNANDA BARBOSA a 25.04.2017 às 12:19

Depois de tomar conhecimento do conteúdo do texto, percebo bem, porque a minha Mãe se referia, com tanto apreço,e gratidão, ao Dr Baptista de Sousa...                                                                          As pessoas partem,mas o bem que praticam na vida fica para sempre no coração da pessoas...

De Anónimo a 01.06.2017 às 11:19

E nós, esses racistas, com nos chamavam por aí...

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