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As Revoltas Populares em Selos

Brito-Semedo, 14 Nov 10

 

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Desde o seu descobrimento até à Independência Nacional, dada as contradições do sistema colonial, ocorreram inúmeras sublevações populares que contestaram directamente o regime colonial a que Cabo Verde estava submetido.

 

As primeiras grandes revoltas sociais em Cabo Verde surgiram nos inícios do séc. XIX, primeira metade do séc. XX, e foram o resultado directo das novas políticas coloniais adoptadas por Portugal, sobretudo depois de 1820, com a instalação da monarquia constitucional.

 

As revoltas sociais ocorridas em Cabo Verde foram uma forma de luta contra a opressão e exploração coloniais, muito embora não tenham em nada, alterado a estrutura socio-económica e a ruptura dos laços coloniais. 

 

Inseriram-se em processos de carácter emancipalista e, em muitos casos, representaram a assumpção, por parte dos seus integrantes, da consciência da exploração a que eram sujeitos pelos grandes senhores, proprietários de terras.

 

As contradições entre a Metrópole e a Colónia manifestaram-se de diversas maneiras: (i) como protesto ao sistema e ao regime coloniais; (ii) como ideia de emancipação e Confederação com o Brasil recém-independente; e (iii) como uma reacção à pressão fiscal e também como conflito entre senhores e escravos, morgados e rendeiros, parceiros e meeiros.

 

Cada uma dessas rebeliões sociais teve o seu carácter específico e apresentou o seu grau de complexidade:

 

– a de Ribeira de Engenhos, Santiago (1822), com o levantamento de camponeses a não querer pagar impostos e com a propalada ideia da federação de Cabo Verde ao Brasil;

 

- a de Achada Falcão, Santiago (1841), com a sublevação de trezentos rendeiros que, empunhando facas e cacetes, exortaram a população a se manifestarem contra o pagamento das rendas aos proprietários, por considerarem que as terras deviam pertencer-lhes;

 

- a de Paúl, Santo Antão (1894), em que mais de mil pessoas, partindo de várias freguesias do Paúl, marcharam sobre Ribeira Grande, tendo-a ocupado durante cinco dias (a Praça do Concelho, a Câmara Municipal e várias repartições públicas), para protestarem contra injustiças e vexames a que estavam submetidos e contra a sobrecarga da contribuição predial;

 

- a de Ribeirão Manuel, Santiago (1910), um mês após a implantação da República em Portugal, contra o pagamento das rendas aos morgados (Aqui no "Na Esquina").

 

– a de Achada Portal, Tarrafal de Santiago (1920), como reacção à opressão tributária;

 

– as de São Vicente (1929 e 1934), contra a crise do emprego reunindo trabalhadores, estudantes e professores, em 1929; e a manifestação de 1934, onde um grupo de insurrectos se manifestou liderado por Nhô Ambrose (Ambrósio Lopes, Santo Antão, 1878 - S. Vicente, 25.Out.1946), o célebre Capitão Ambrósio do Poeta Gabriel Mariano

 

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Essas sublevações e revoltas populares não chegaram a propôr claramente uma emancipação política como solução. Essas só terão esse carácter com a formação de ideias autonomistas e com a luta clandestina que se desenvolve a partir da década de 1940, culminando com a independência nacional em 1975.

 

Desconhece-se, contudo, o critério de eleição da Revolta de Ribeirão Manuel para efeitos de comemoração. É que, das três acontecidas em Santa Catarina – Ribeira do Engenho, em 1822; Achada Falcão, em 1841; e Ribeirão Manuel, em 1910) – apenas esta última obteve estatuto comemorativo, quando, segundo o historiador Daniel Pereira, ela se encontra muito longe, em grau de importância, por exemplo, da Revolta da Ribeira de Engenho. Talvez por ser centenária neste ano de todas as comemorações! Será?!

 

Manuel Brito-Semedo 

Praia, 14.Novembro.2010

 

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