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O restaurante mais antigo do mundo

Brito-Semedo, 10 Jan 14

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Somos fascinados por tradições, costumes, memórias. Somos, sobretudo, curiosos acerca dos lugares, das pessoas, das histórias. E um espaço que reúne todos estes elementos, e ainda acrescenta boa comida, é especialmente encantador.

 

Dizem que Ernest Hemingway nunca teve uma afinidade com a cozinha como a que tinha com a máquina de escrever. Mas o homem era dos melhores apreciadores da boa culinária. Prova disso é que o escritor norte-americano foi um dos maiores fãs do restaurante mais antigo do mundo, o célebre “Restaurante Botín”, reconhecido pela excelência de sua cozinha, situado na capital espanhola.

 

Em 1725, o francês Jean Botín e sua esposa – que mantinham um negócio em Madrid – receberam seu sobrinho, que viera morar com eles. Este sobrinho fundou uma espécie de pousada num antigo prédio, datado de meados de 1590, situado numa região comercial da cidade. Àquela época, a pousada apenas servia assados. Originalmente baptizado com o nome “Casa de Botín”, e mais tarde “Sobrino de Botín”, o local era chamado de “casa de comida”, pois a denominação “restaurante” referia-se somente a alguns raros e exclusivos lugares.

 

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O local está no livro dos recordes como o restaurante mais antigo do mundo em actividade ininterrupta. E também porque desde sua fundação, em 1725, não sofreu nenhuma modificação na estrutura do local. Há quase três séculos é usado o mesmo forno, do qual emanam os mais tentadores aromas na antiga “Rua dos Cuchilleros”, em Madrid.

 

Esqueça a sofisticação e o luxo. Nem hoje e nem nunca o Restaurante Botín ostentou tais atributos. Ostenta mais: simplicidade, tradição e qualidade no serviço e atendimento. Hoje, o restaurante mantém uma carta singular com a melhor comida típica espanhola, a qual atrai, de todas as partes do mundo, profissionais e amantes da culinária. Além disso, possui uma equipe de funcionários que mais parece uma família. Muitos deles estão lá há 20, 30 anos, por o considerarem um excelente local de trabalho. Mérito de seu actual dono, Antonio González Gómez.

 

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O Restaurante Botín chegou em 1930 às mãos da família González, que decidiu manter o nome e a tradição da cozinha. Tão excepcional quanto o restaurante é a simpatia de Antonio González, que afirma que permanecer da mesma forma é essencial para preservar o espírito autêntico do passado. Com uma atmosfera despretensiosa, a fachada do restaurante lembra a de uma simples cantina, e Botín adentro verificamos um lugar cheio de corredores estreitos, utilizados atualmente como armazéns. Seu interior mantém uma estrutura antiquíssima e imponente, espalhada por três andares. O restaurante já passou por restaurações, mas sempre manteve sua arquitectura original.

 

O local é também famoso pelas citações em livros de autores como Pérez Galdós, Arturo Barea, Truman Capote e do próprio Ernest Hemingway, entre outros. “Almoçamos no primeiro andar do Botín. É um dos melhores restaurantes do mundo. Comemos leitão assado e bebemos Rioja Alta. Brett não comeu muito. Ela nunca comia muito. Comi que me fartei e bebi três garrafas de Rioja Alta.” (Ernest Hemingway - The Sun Also Rises, [O Sol Nasce Sempre], 1926).

 

Sendo um dos destinos culinários mais visitados de todo o mundo, é também alvo de muitas histórias e algumas lendas. Uma delas é que, em 1765, o pintor espanhol Goya lavou pratos na antiga casa a fim de sustentar-se enquanto aperfeiçoava seu verdadeiro talento.

 

O prato mais famoso da antiga casa é o clássico “Cochinillo Asado”, um leitão de apenas vinte dias, que derrete na boca, assado no lendário forno activo desde a fundação do restaurante. Além do leitão, a casa serve uma afamada “Sopa de alho com ovo” e o ousado “Chipirones en su tinta” (lulas na própria tinta).

 

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E não é só de comida que vive o antigo Botín. Há a música também. Enquanto saboreamos as especialidades da casa, um grupo musical percorre as mesas com canções típicas espanholas, trazendo ao ambiente um clima agradável e descontraído.

 

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Boa comida e boa bebida em um ambiente distinto, que oferece uma atmosfera rústica e aconchegante – além de um serviço de qualidade – é receita certa para momentos extraordinários, causos e sabores memoráveis. E tudo isto é oferta da casa. E tudo isto está, além dos cardápios, na História. De Goya a Hemingway. Dos Botín aos Gonzáles, do passado ao presente para o resto do mundo. ¡Salud!

 

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Fonte: Obvious

 

 

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1 comentário

De alvaro a 10.01.2014 às 14:15

Problema é txootxoka... bufunfa...

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