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Recordando Roberto Duarte Silva

Brito-Semedo, 9 Jan 11

Em resultado da reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, que decorreu de 31 de Julho a 6 de Agosto de 2009, em Glasgow, na Escócia-Reino Unido, proclamou-se 2011 como o Ano Internacional da Química, sob o tema “Química – a nossa vida, o nosso futuro”. A agenda de comemorações será organizada pela União Internacional de Química Pura e Aplicada e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os dias 27 e 28 de Janeiro de 2011, foram a data escolhida para a abertura oficial desta celebração, em Paris, sede da UNESCO.

 

O objectivo do Ano Internacional da Química é celebrar as contribuições da química para o bem-estar da humanidade. A química é fundamental para a nossa compreensão do mundo e do cosmos. As transformações moleculares são centrais para a produção de alimentos, medicina, combustíveis e inúmeros produtos manufaturados e naturais. A programação do Ano Internacional da Química também será inserida nas atividades da Década da Educação e do Desenvolvimento Sustentável (2005-2014), estabelecida pela UN. Assim, as atividades programadas para 2011 darão ênfase à importância da química para os recursos naturais sustentáveis. Além disso, no ano 2011 comemora-se o 100º aniversário do Prêmio Nobel em Química para Marie Sklodowska Curie, o que, de acordo com os organizadores, motivará uma celebração pela contribuição das mulheres à ciência.

in Wikipédia

 

Recordando o Químico Roberto Duarte Silva 

 

  

Santo Antão, 25.Fev.1837 - Paris, 8.Fev.1889

 

Roberto Duarte da Silva nasceu em 1837, em Santo Antão, Cabo Verde. Após a perda do pai aos 14 anos, foi admitido como aprendiz no estabelecimento de um velho boticário. Veio depois para Lisboa a fim de completar a sua aprendizagem na conhecida Farmácia Azevedo. Ao mesmo tempo, estudou e formou-se na Escola de Farmácia de Lisboa.

 

Ao completar os 20 anos, foi enviado para Macau para montar uma farmácia, na mesma altura em que o Governo enviou para essa cidade um navio com um importante contingente militar. Dois anos mais tarde, em consequência do colapso do comércio de Macau, causada pela concorrência da recém-fundada cidade de Hong-Kong, Silva acompanhou o êxodo da maioria dos comerciantes macaenses, e abriu uma farmácia por sua conta, em Hong Kong. O negócio correu-lhe bem. No final dos anos de 1850, com o reacender da chamada 2ª Guerra do Ópio, a França e a Grã-Bretanha enviaram um corpo expedicionário à China que viria a tomar Pequim em 1860 e a destruir o Palácio de Verão, onde o Imperador se tinha refugiado. Silva foi nomeada fornecedor oficial dos militares franceses. Em resultado destes contactos, começa a sentir-se atraído por França pelo que decide ir viver para Paris, em 1862.

 

Na capital francesa, frequentou os cursos de química de Adolphe Wurtz, Henri Sainte-Claire Deville, Marcelin Berthelot e de Jerôme Balard. Depois de se licenciar em física, torna-se discípulo de Wurtz, em 1863, publicando o seu primeiro artigo científico, em 1867. Todavia, Silva nunca se doutorou. No laboratório de Wurtz, estabelece relações de amizade com Charles Friedel, um dos mais dedicados discípulos de Wurtz, com Philippe de Clermont e o americano James Mason Crafts.

 

A Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) surpreende Silva em Londres, onde fora melhorar os seus conhecimentos de inglês e visitar laboratórios de investigação. Com Crafts, realizou investigações no laboratório de Alexander W. Williamson, antigo colega de Wurtz no laboratório de Justus von Liebig, em Giessen. Quando toma conhecimento da invasão prussiana e do cerco de Paris, resolve regressar à cidade luz. É então que os seus colegas o aconselham a deixar o país.

 

Após a guerra, Silva regressa a França, mas desta vez é surpreendido pelos tumultos da Comuna de Paris (1871). Quando consegue finalmente entrar na cidade, começa a trabalhar no laboratório de Friedel, na Ecole des Mines. Trabalharam juntos entre 1871 e 1873, mas colaboraram até 1881.

 

Nesta altura, Silva debate-se com problemas financeiros, mas graças à ajuda de Friedel e ao patrocínio de Jean-Baptiste André Dumas, é nomeado chef de travaux de chimie analytique na Ecole Centrale des Arts et Manufactures, em substituição de Félix le Blanc.

 

A Ecole Centrale era uma escola técnica, que tinha sido criada por Dumas no quadro das políticas do Segundo Império (1852-1870), orientadas para a promoção do desenvolvimento técnico da indústria e da agricultura. Nesta escola, Silva iniciou cursos experimentais, imprimindo uma orientação prática sem precedentes ao ensino da química.

 

Em 1882, é criada em França a primeira escola superior de engenharia industrial, a Ecole Municipale de Chime et Physique Industrielles de la Ville Paris. A reputação de Silva levou à sua nomeação para o lugar de professor de química analítica nesta escola, cargo que acumulou com o de professor na Ecole Centrale.

 

Silva visitava com alguma frequência laboratórios no estrangeiro com o intuito de observar métodos que depois usava nas suas aulas práticas de química analítica. Destas viagens, deixou um único relatório relativo à visita ao laboratório de Bunsen, em Heidelberg, em 1882. Silva descreve o laboratório de Bunsen, em especial os vários dispositivos e métodos analíticos inventados por este químico alemão. Entre eles, o bico de Bunsen e as suas aplicações analíticas deixam Silva maravilhado.

 

Na comunidade química francesa, Silva alcançou algumas posições de relevo, especialmente se tivermos em conta as suas origens. Foi eleito vice-presidente da Société Chimique, em 1885, e, dois anos depois, presidente; foi membro da Association Française pour l'Avancement des Sciences, criada em 1872, no rescaldo da Guerra Franco-Prussiana, sendo eleito secretário da mesma, entre 1875 e 1877, e presidente da secção de Química, em 1886. Em 1876, foi eleito correspondente da Real Academia das Sciencias de Lisboa, e membro honorário da Sociedade Pharmaceutica Luzitana.

 

Entre os vários prémios foi-lhe atribuído o Jecker Prize da Académie de Sciences de Paris, em 1885, pelas suas investigações em química orgânica. Ele e Crafts foram os únicos estrangeiros galardoados com este prémio, entre 1859 e 1885.

 

Silva requereu a nacionalidade francesa, possivelmente porque decidira desenvolver a sua carreira em França, mas desconhece-se a data da sua mudança de nacionalidade. Em sinal de gratidão para com o país de acolhimento, em 1884, fez um testamento em que doou a sua biblioteca e parcos bens à Société Chimique.

 

Silva faleceu a 8 de Fevereiro de 1889, sendo sepultado no cemitério de Montparnasse, em Paris.

 

in Biografia publicada pela Sociedade Portuguesa de Química, da autoria de Ana Carneiro e Bernardo J. Herold

  

 

 

 

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