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Deportados no Lazareto.jpg

Deportados no Lazareto, 1931

 

 

Há exatos 85 anos, a 4 e Abril de 1931, num sábado de aleluia, eclodia em Funchal a célebre Revolta da Madeira, liderada pelos nossos conhecidos tenentes Dr. Camões e Pélico, apoiados pelos alferes Hasse Ferreira e Mouzinho Sacadura, alguns dos quais por cá ficaram, morreram, e deixaram descendência e um importante legado.

 

A revolta, que esteve para ser seguida no continente e nas ilhas lusófonas, apenas chegou aos Açores e Guiné, na sequência da qual, presos, os seus protagonistas seriam deportados para vários destinos, entre os quais a ilha de São Nicolau em Cabo Verde, onde desembarcaram cerca de duzentos cidadãos portugueses.

 

Uma efeméride de relevante importância que põe a ilha de São Nicolau e Cabo Verde na rota da deportação e nos torna testemunhas das sevícias perpetradas pelo regime totalitário que Salazar instalou em Portugal.

 

Com efeito, na ilha de São Nicolau, o regime fascista ensaiaria em primeira mão, o novo modelo prisional, entretanto adotado, que substituiu o “degredo numa ilha”, para “Prisão na ilha”, ou seja, em “Regime fechado”, dentro da ilha.

 

Primeiro, no seminário da Ribeira Brava, de onde os alunos tiveram de abandonar apressadamente as aulas, depois, num Campo de Concentração em Tarrafal de São Nicolau, edificado de raiz com material pré-fabricado alemão. A experiência de São Nicolau estender-se-ia a Timor, Moçambique, Angola e Guiné.

 

 

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 Comando

 

 

Adalberto Gastão de Sousa Dias.tif

Francisco Filipe de Sousa.tif

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

General Adalberto Gastão de Sousa Dias               Major Francisco Filipe de Sousa

 

  

Histórias de interesse universal, que como outras, a ilha de São Nicolau encerra, Indústria Baleeira, Seminário-liceu, Sede da Diocese de Cabo Verde, Indústria Conserveira do Atum, etc.

 

Marcos culturais e históricos, para cuja descoberta a ilha vai sendo aos poucos procurada, seja por investigadores, como por docentes, turistas, ou meros curiosos.

 

Ainda recentemente:

 

• O presidente da mais prestigiada instituição mundial, dedicada à história da baleação – o museu da Baleia de New Bedford – visitou a ilha com uma delegação, para descoberta da origem dos Cabo-verdianos que fizeram de New Bedford a “Cidade que iluminou o Mundo”;

 

• Académicos e especialistas internacionais da área de Educação artística, foram também acolhidos no Museu da Pesca, para estudos de campo, inseridos na programação doIV encontro Internacional de Educação Artística que decorreu em São Vicente.

 

• Mais uma vez, a ilha mereceu o interesse de um grupo de vinte professores, desta feita da Escola do Ensino Básico Nova Assembleia, da Praia, que vêm à descoberta da história e cultura da Ilha de São Nicolau.

 

Marcos históricos e culturais, cuja relevância e importância reconhecida internacionalmente, atrai visitantes de fora, circunstância que obriga a questionar, em jeito de desafio:

 

Será que localmente, o cidadão comum, as comunidades, passando por estudantes, professores, poderes públicos, conhecem devidamente, valorizam e se empenham na preservação desse importante legado?

 

– José J. CABRAL
Representante IPC/São Nicolau

 

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3 comentários

De Lina Sousa a 08.04.2016 às 09:22

Olá! Como filhos e netos do então Major Francisco Filipe de Sousa gostaríamos de receber e também dar informações sobre ele e lá onde for possível contribuir para as pesquisas e estudos que realizam. Aguardamos o vosso contacto. Cumprimentos. Lina Sousa 

De Anónimo a 08.04.2016 às 13:52

Tomo nota. Terei imenso gosto em partilhar. Majorona como era conhecido é dos nossos. Tenho vasto material com a história dele. Andei a pesquisar no processo dele. Quando puder venha a São Nicolau que estaremos por cá. Até lá queira utilizar, se desejar esta via, que tb serve.
Saudações Patchê.

De Luiz Silva a 04.04.2017 às 12:47

Dentro de dias deve visitar Cabo Verde o Presidente da Republica Portuguesa, Doutor Marcelo de Sousa. Não seria oportuno levantar de novo a situaçao dos emigrantes forçados nas roças de São Tomé e Principe, que pedem simplesmente o regresso e uma indemnisaçao pois deixaram as suas economias no Banco nacional ultramarino? Como estranhar o silêncio dos nossos poetas, intelectuais e politicos que fizeram da situaçao dos nossos compatriotas nas roças de Sao Toma e Principe um tema literario e politico para apoiar a luta de libertaçao nacional. Com a Independencia se esuqeceu da promessa feita durante a luta. O poeta Ovidio Martins dizia que nunca Cabo Verde seria independente enquanto houvesse um cabo-verdiano explorado nas roças de Sao Tomé e Principe. Como foi  possivel que os politicos e seus respetivos partidos tenham esquecido deste combate iniciado por Eugénio Tavares, Sena Barcellos, Baltasar Lopes, Teixeira de Sousa, Gabriel Mariano, Onésimo Silveira, de compositores como Abilio Duarte, Jotamont e ainda josé Zeferino o qutor da clebre morna balada Sodade, conhecida no Mundo nas vozes do Bonga e da Cesaria Evora? A visita do Presidente da Republica Portuguesa eria o momento proprio de fazer uma chamada necessaria para que Portugal assuma o seu passado historico, incluindo a escravatura. Seria mesmo indecente para não ser humiliante que ninguém levantasse a voz para lembrar ao Presidente da Republica Portuguesa que ainda ha' homens e mulheres, que emigraram forçadamente como portugueses e  que foram abandonados nas roças, perdendo as suas economias e odireito ao regresso que aliàs fazia parte do contrato. Hoje os trabalhadores forçados cabo-verdianos vivem em piores condiçoes que no tempo colonial. Assim como o escravo era alimentado porque possuiam um valor material. Neste 150° aniversario do nascimento do Eugénio Tavares nao podemos ingorar o seu grande combate a favor da emigraçao para os Estados Unidos como também a sua luta contra a emigraçao forçada para Sao Tomé que constituia um "insulto à dignidade humana"(Eugénio Tavares)

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