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Arnaldo França, Uma Homenagem

Brito-Semedo, 21 Ago 15

 

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– António Ludgero Correia Sénior, Aduaneiro

 

Aduaneiro, poeta, ensaísta, professor e Administrador (vejo-o, enquanto Secretário de Estado das Finanças e Ministro das Finanças, mais como administrador do que verdadeiramente político) ARNALDO CARLOS DE VASCONCELOS FRANÇA é uma das figuras mais respeitadas de Cabo Verde. E não só. Por isso, não espanta a casa cheia, ontem, na Biblioteca Nacional.

 

Apesar de o horário coincidir com o da primeira-mão de uma das duas meias-finais da Liga dos Campeões – neste país que se verga diante do Desporto-Rei – o Salão da Biblioteca Nacional foi pequena para albergar quantos queriam prestar homenagem ao Dr. Arnaldo França.

 

Emoção às catadupas. Ninguém conseguiria ficar indiferente às palavras do Professor Doutor José Alberto Carvalho, do Poeta-Maior Corsino Fortes ou do Ministro (ainda consciente da transitoriedade dos cargos) Mário Lúcio. E as declamações de Fátima Bettencourt?! Meu Deus…

 

Homenagem para ninguém botar defeito: prestada EM VIDA (que é quando as homenagens são realmente válidas); genuína e sentida; e bem representativa.

 

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Legenda (Da esquerda para a direita): Prof. Doutor Alberto de Carvalho, Dr. Arnaldo França (Homenageado), Dr. Mário Lúcio Sousa (Ministro da Cultura), Dr. Corsino Fortes (Presidente da Associação de Escritores Caboverdianos), Dr. Joaquim Morais (Presidente do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro)

 

O toque mágico aconteceu praticamente no fim da sessão: o Dr. Arnaldo França «se confessou» ADUANEIRO. Aclamei, de pé. As Alfândegas atravessam, hoje em dia, a rua da amargura, mas é, de todo em todo, injusto, não sublinhar as figuras ilustres que elas têm dado a Cabo Verde.

 

ARNALDO «DICO» FRANÇA galgou todos os degraus da carreira do Pessoal Técnico-Aduaneiro e foi o primeiro Director-Geral das Alfândegas do Cabo Verde independente. Não fosse ele próprio ter-se «confessado» aduaneiro, as gerações mais novas ficariam por saber dessa sua vivência e que pode muito bem justificar a excelência das demais valências deste grande Homem.

 

Um dos maiores poetas cabo-verdianos, de sempre, JORGE Vera Cruz BARBOSA, foi aduaneiro até passar à reforma. Mas ninguém se lembra disso quando se fala dele.

 

Na instalação da primeira administração do Cabo Verde independente, a participação dos aduaneiros foi, no mínimo, interessante: António OMAR LIMA, no Ministério dos Transportes; Rosendo PIRES FERREIRA, no Ministério da Defesa; NELSON Atanázio SANTOS, no Ministério do Interior; e ERMITÃO BARROS, no Ministério da Coordenação Económica.

 

Mas mesmo antes da independência nacional, vários foram os aduaneiros que se notabilizaram e foram chamados a emprestar a sua capacidade ao Governo da Província: Arnaldo França (desde então); os irmãos Tomás e Honorato Benrós; Pedro de Sousa Lobo; Luís Barbosa Matos.

 

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Legenda (Da esquerda para a direita): Prof. Doutor Alberto de Carvalho, Dr. Arnaldo França (Homenageado), Escritora Fátima Bettencourt

 

A lembrança desses grandes aduaneiros, despertada pela bonita homenagem prestada ao Dr. Arnaldo França – meu professor de Organização Política e Administrativa da Nação (OPAN), meu chefe na Alfândega da Praia e na Direcção-Geral das Alfândegas, meu Ministro e, sobretudo, meu ilustre amigo e referência – acabou por, paradoxal-mente, me deixar com um travo amargo na boca. É que, salvo eu próprio, nenhum outro aduaneiro, no activo, esteve presente na homenagem. É lamentável. Conquanto acredite que, para o homenageado, os aduaneiros presentes - António Benrós, Rosendo Pires Ferreira, António Sérgio Carvalho, Vicente Andrade e eu próprio – representavam toda uma classe. No activo e na reforma.

 

QUE DEUS CONTINUE ABENÇOANDO TÃO ILUSTRE CABO-VERDIANO!

 

Praia, 26 de Abril de 2011

 

 

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