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Assim é Batota, Patrão!

Brito-Semedo, 19 Set 14

 

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"Batota", Foto Hélder Doca, Agosto.2011

 

 

Para o Amigo Germano Almeida, Escritor de fina ironia

 

 

No tabuleiro da Várzea os dados do “jogo do patrão” voltaram a ser lançados. Até 2016 é ver quem ganha, se o povo consumidor, ou se o Patrão.

 

 

Alea jacta est

(A sorte está lançada)

 

JÚLIO CÉSAR

 

 

O jogo de dados ou o “jogo do patrão” – jogo do dupatrão, como é conhecido entre nós, na SonCent – é já uma instituição nas festas de romaria como as de Santa Cruz, na Salamansa, de San Jôn, na Ribeira de Julião, ou de San Pedro, em Santo André, onde é expressivo o número de bancas montadas à volta do arraial da festa. É ver uma aglomeração de pessoas ao redor dos tabuleiros, a apostar ou simplesmente a assistir.

 

Sendo um jogo de azar, com batota pelo meio, em que vários apostadores perdem para haver um vencedor, na verdade, quem sempre ganha é o patrão, o banqueiro. Que o diga o Léla de Nhô Antôn d’Ana que teve a esperteza de criar um tabuleiro com sete números, quando o normal é seis, para poder ser sempre a banca a ganhar!

 

No nosso jogo do dupatrão da Electra, depois de muitas mãos e não poucas rodadas, com o povo consumidor já cansado e sempre a perder, mas acreditando que alguma vez se há-de quebrar o enguiço do azar e ter a sorte de ganhar um pouco de luz e alguma água, impunha-se e impõe-se tomar uma atitude. Mas, calê! Gente sem ciénça! Só garganta!

 

Batota 2.jpeg

"Assim é batota", Foto Hélder Doca, Setembro.2014

 

Depois de quase três meses a perder todos os dias com falta de luz e sem água, com o ambiente a ficar cada vez mais quente, sem o Patrão poder arrefecer a paciência dos apostadores, este decide retirar-se do jogo. Nããõoo! Assim não dá! Isso é batota, Patrão!

 

No tabuleiro da Várzea os dados do “jogo do patrão” voltaram a ser lançados. Até 2016 é ver quem ganha, se o povo consumidor, ou se o Patrão.

 

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1 comentário

De Adriano Miranda Lima a 04.10.2014 às 16:52

Estava eu na 3ª classe, na escola da Chã do Cemitério, e um dia, ao intervalo das aulas, eu e dois companheiros fomos assistir a um jogo de dupatrão " que estava a desenrolar-se numa esquina próxima, frente ao edifício escolar. O "patrão" lançava os dados e dei comigo a acertar com o resultado que ia sair. Mistério inexplicável, acertava infalivelmente, a ponto de os comparsas do jogo começarem a ficar expectantes do vaticínio do menino de 8 anos. Isso funcionou até que o "patrão", já farto de perder rendimento, me atirou à cara uma punhada de terra. Soou então o sinal de reinício da aula, e lá regressei à respectiva sala a cuspir e a limpar a boca, sem entender a graça com que fui ungido nessa já longínqua tarde (e sem proveito próprio) e muito menos sem compreender o azedume do "patrão".
Pode ser que um dia destes alguém atire uma punhada de terra a alguém lá para os lados da Várzea.

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