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A peça de 11min para orquestra clássica, ‘Como uma moeda de prata’, é dedicada ao luminoso escritor cabo-verdiano António Aurélio Gonçalves (AAG): na entrevista que João Freire lhe fez em 1979, o AAG cantarolou uma antiga e desconhecida morna que eu orquestrei (a única deste projeto), e fiz as devidas variações para orquestra. Esta peça tem também uma parte inspirada na Mazurca, de que ele gostava muito, e termina numa espécie de hino glorioso.

 

Quanto ao título, ‘Como uma moeda de prata’, eis a sua história, um tanto fantasiosa é verdade, mas bastante poética e bonita: AAG gostaria da palavra fenolftaleína (com certeza um produto farmacêutico). E teria dito: ‘é como uma moeda de prata, rolando numa escadaria de mármore em noite de Lua’. Se foi uma história inventado pelos seus discípulos (como diz de forma lúcida o Carlos Gonçalves, seu sobrinho), parabéns então a quem imaginou tal história. Todavia, mesmo se é um mito, estas palavras poderiam perfeitamente ter sido ditas pelo AAG porque definem muito bem a sua visão poética do mundo.

 

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- Vasco Martins

 

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