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PR no Dia dos Heróis Nacionais

Brito-Semedo, 20 Jan 14

 

Nos tempos actuais, assistimos à confrontação permanente entre tendências opostas que, ao invés de se complementarem, como muitas vezes acontece, procuram impor-se, de modo absoluto e avassalador, com consequências, amiúde muito perigosas e com elevado potencial destrutivo.

 

Referimo-nos, por um lado, à sanha homogeneizante que procura reduzir, a partir de determinados padrões, as culturas e o comportamento das pessoas a modelos pré-estabelecidos, reduzindo-as, então, à condição de consumidores acríticos de produtos, mas também de ideias e de projectos que, muitas vezes, se chocam, até, com os seus e reais e genuínos interesses.

 

Por outro lado, verificamos a perspectiva oposta: a que nega a evidência histórica da habilidade das culturas no que toca à sua capacidade de troca, à sua porosidade, à capacidade de diálogo permanente, ainda que nem sempre igualitário.

 

Esta perspectiva erige, assim, determinadas particularidades em valores absolutos, permanentes ou imutáveis onde características culturais perderiam a sua dimensão histórica, necessariamente relativa, para se transformarem em algo petrificado, num passado que jamais parte, que se presentifica, negando o próprio futuro.

 

Afortunadamente, conquanto se depara com esta visão dualista, a conjugação entre o específico e o universal tem sido a via pela qual a humanidade, muitas vezes com contradições, por vezes profundas, tem-se afirmado ao longo da história. É neste complexo contexto de articulação entre o específico e o universal que a figura do herói adquire importância particular. Ao congregar determinados valores entendidos como fundamentais pela colectividade, ao representar, simbolicamente, determinados ideais que, não obstante a transitoriedade histórica, continuam vivos no seio das comunidades, essa figura assume o valor de uma referência fundamental.

 

Sendo um herói um ser humano como o comum dos mortais, comungando da mesma natureza e não detentor de qualquer essência divina, ele tem, ainda assim, o condão de ser uma importante referência na minoração do confronto e na articulação permanente entre as duas tendências opostas e excludentes.

 

A sua condição humana, e não divina, faz do herói gente igual nós mas que simultaneamente nos ultrapassou, em razão de condicionantes históricas, mas, essencialmente, por causa de características pessoais que permitiram que se destacasse dos seus contemporâneos, dos seus companheiros de jornada.

 

No nosso caso, os nossos heróis, os que hoje homenageamos, celebramos e saudamos efusivamente, fizeram da independência nacional a razão da sua vida, pela qual lutaram e se sacrificaram. Uma entrega sem limites para que hoje pudéssemos ter a Pátria que temos, edificar a democracia que queremos, perspectivar o desenvolvimento inclusivo que almejamos.

 

Essas referências humanas, situadas no contexto próprio, são uma importante fonte de inspiração contra todas as tendências homogeneizadoras ou radicalmente exclusivistas que negam a transitoriedade da história e do homem, ainda que detentor de um legado inspirador.

 

Celebrar os Heróis nacionais implica, necessariamente, enaltecer os Combatentes da Liberdade da Pátria que, na sua senda, se entregaram de alma e coração à tarefa da libertação nacional nas frentes da luta armada e da luta política clandestina, arriscando um dos bens maiores que é a liberdade ou o bem supremo, a própria vida.

 

Neste dia 20 de Janeiro, uma figura se impõe a todos os cabo-verdianos, a todos os africanos: Amílcar Cabral. Homem que, no seu tempo e com os instrumentos que dispunha, encarnou e assumiu, de forma brilhante, corajosa e abnegada, as aspirações independentistas dos Povos de Cabo Verde e da Guiné Bissau.

 

Se é necessário homenagear solenemente esta figura maior da nossa história, a máxima homenagem que devemos prestar a esse ícone que caiu lutando pela independência nacional é prosseguir na direcção da consolidação da independência, do reforço e aperfeiçoamento da nossa democracia e na construção de um desenvolvimento com justiça que dê vida digna a todos os filhos desta terra.

 

Viva os Combatentes da Liberdade da Pátria!

 

Honra aos Heróis Nacionais!

 

Honremos a Memória de Amílcar Cabral!

 

Fonte: Presidência da República

 

 

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