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Mindelo, vista do mar 

 

 

Economia da Cultura – Economia Criativa – Economia Solidária

 

 

[EIXO 1]

 

Economia da Cultura designa o ramo da economia que integra a criação, a distribuição e o consumo de obras de arte. Inicialmente, esteve ligada sobretudo às Belas Artes, às artes decorativas, à edição, à música e aos espectáculos ao vivo. A partir dos anos oitenta do século XX, alargou-se a outras actividades culturais, o cinema, a edição de livros ou de música, e à economia das instituições culturais, os museus, as bibliotecas, os monumentos e sítios históricos.

 

São Vicente, sem cinema, sem salas de espectáculo, com unicamente duas galerias de arte (“Zero Point Art” e “Ponta d'Praia Gallery”), sem museus, sem monumentos e sítios históricos, com uma edição de livros e de CDs pouco expressiva e uma fraca capacidade de consumo de objectos de cultura ou obras de arte, tem apenas três produtos como únicos recursos susceptíveis de gerar uma economia de cultura: a Música, em formato de animação nos hotéis e nos restaurantes e festivais, com destaque para o Festival da Baía das Gatas; o Teatro, com o Festival Mindelact, actualmente o mais importante acontecimento teatral de toda a África Lusófona; e o Carnaval, enquanto produto turístico.

 

Economia Criativa pode ser definida como processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos.

 

Apesar da ilha de São Vicente ser conhecida pela sua criatividade, haja vista o seu Carnaval, cada vez mais sofisticado, com alguns pintores que já expõem em galerias lá fora, músicos conceituados, artistas plásticos e artesãos com qualidade e em número significativo, não se pode ainda falar de uma economia criativa, considerando haver, apenas, alguns casos isolados de sucesso.

 

Ocorre-me ainda que as escolas básicas, ou mesmo as secundárias, não deveriam estar fechadas aos fins-de-semana de modo a poderem ser utilizadas como espaço e como palco para actividades de lazer, de desporto, de dança, de feiras gastronómicas ou de artesanato, etc., de oficinas de música, de uso de novas tecnologias, de oratória, onde pessoas de diferentes gerações possam usufruir das infra-estruturas do seu próprio bairro, sem precisar deslocar-se à Morada para ter acesso ao lazer e à cultura.

 

Para que Mindelo venha a ser, efectivamente, uma capital cultural, conferindo-lhe poderes que propiciem diversas probabilidades de lucro (económico, cultural, social ou simbólico), a sua produção cultural tem de apostar no tripé: produtores culturais, produtores de acessibilidade e público consumidor.

 

Economia Solidária é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente. Cooperando, fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem.

 

A economia solidária vem se apresentando, nos últimos anos, como uma inovadora alternativa de geração de trabalho e rendimento e uma resposta a favor da inclusão social. Compreende uma diversidade de práticas económicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias, redes de cooperação, entre outras, que realizam actividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário.

 

Em São Vicente já vai sendo realidade esse tipo de economia, praticada na área da agricultura, pecuária e transformação alimentar, pela Associação de Produtores e Criadores, com o apoio da CERAI, da Espanha; no ensino, com Cooperativas de Ensino; e nas áreas da cultura, artesanato e turismo, pelo projecto CRIE (Criando, Inovando e Empregando), de apoio ao artesão para a sua inserção na economia criativa, com o financiamento da União Europeia.

 

Estou em crer que, enquanto os produtores culturais continuarem fechados nos seus ateliers, gabinetes, escritórios, academias, não haverá economia solidária aliada à economia cultural nem à economia do conhecimento.

 

Assim, seria desejável que um poeta ou um escritor, a título de voluntariado, realizasse oficinas de poesia ou de escrita criativa com os estudantes; que um músico pudesse fazer uma oficina de música para universitários que tocam instrumentos musicais de forma espontânea, de ouvido, sem nunca terem frequentado escolas de música por falta de oportunidade; que um pintor pudesse organizar uma oficina ou roda de conversa com estudantes sobre a sua arte; que um grupo teatral, no mês do teatro, pudesse oferecer uma oficina de teatro para estudantes com apetência para isso.

 

 

 

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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