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 Avenida Marginal com Monte Cara ao fundo. Foto Zé Pereira, Nov.2014

 

 

Democracia Participativa – Empoderamento do Tecido Social – Articulação com as Migrações

 

 

[Eixo 3]

 

A Democracia Participativa é um regime onde se pretende que existam efectivos mecanismos de controlo exercidos pela sociedade civil sobre a administração pública, não se reduzindo o papel democrático apenas ao voto, mas também estendendo a democracia para a esfera social.

 

É sentimento de muitos que Cabo Verde precisa consolidar algumas conquistas e empoderar os cidadãos, atendendo às questões do género e, de uma forma transversal, as diferentes gerações, para uma maior participação política.

 

Um aspecto importante a atender é o da cidadania digital, ou seja, garantir que os “nativos digitais” (os nascidos a partir de 1985) possam efectivamente fazer uso de tecnologias, que não seja apenas estar nas redes sociais.

 

Os que, como nós, não nasceram nessa época são considerados “imigrantes digitais”. E ninguém quer ser imigrante. Todos querem ser cidadãos de pleno direito. Assim, dever-se-á misturar pessoas com perfis diferentes no ensino e no mercado de trabalho para que os mais velhos não fiquem excluídos ou à margem de tanta inovação. Este partilhar de saber do jovem nativo digital pode criar cidadãos digitais, independentemente da idade, e pode juntar sabedoria de vida com habilidades tecnológicas.

 

Isto leva-nos a outras questão como o preço da internet, que é cara em Cabo Verde, e a um melhor aproveitamento das novas tecnologias como ferramenta educacional. Um evento como este, por exemplo, deveria poder ser disponibilizado em videoconferência para outras ilhas, num continuum entre o presencial e a distância.

 

O Tecido Social é o termo usado actualmente para se referir aos aspectos sociais de uma cidade e não à sua estrutura física; relaciona-se aos indivíduos, à colectividade, que estão ligados por uma ou mais relações sociais profundas, apenas compreendidas pela análise do poder, formando uma malha social.

 

Os tempos hoje são outros e o progresso económico e social, disseminado pela aldeia global ou devido à nossa permeabilidade ao exterior, pela circulação de pessoas, bens e valores, vêm atingindo a nossa malha social afectando as nossas relações sociais. Mais parece que as nossas referências, enquanto cabo-verdianos e sanvicentinos, deixaram de ser baseadas no que é genuíno e culturalmente nosso, que sempre nos caracterizaram, tornando-se frágeis, ficando com a impressão de que o que prevalece é o “passá sábe”, a sabura, e não o esforço, a audácia, o brio, o préstimo, enfim, perdendo-se o essencial da cultura sanvicentina.

 

As Migrações são mutações em que os migrantes se fixaram num país diferente, trazendo sua cultura e adoptando a do país de acolhimento.

 

É já ponto assente que Cabo Verde é uma nação diaspórica, tendo São Vicente, numa dada fase da sua história, funcionado como a porta de saída para a emigração, sobretudo quando as viagens eram feitas através das companhias marítimas. Isso, sem me referir aos que de cá saíram para a Europa para fazer formação superior e acabaram por se fixar nos países de acolhimento como docentes universitários, médicos, engenheiros, arquitectos, economistas, empresários ou mesmo artistas. Contudo, para além do aspecto financeiro e material das remessas dos emigrantes, não se tem sabido aproveitar todo o contributo e a mais valia que poderiam trazer para o desenvolvimento desta ilha.

 

Nestes últimos anos, para além dos imigrantes da costa ocidental de África, que se ocupam essencialmente do comércio ambulante, e de uns poucos chineses, dedicando-se ao pequeno comércio, já vai havendo europeus que vêm para cá viver adaptando-se ao país e investindo, inclusivamente, na área da cultura e da promoção da criatividade.

 

No que respeita especificamente aos imigrantes da costa africana, é urgente pensar-se em iniciativas socioculturais para a sua inclusão, o que será, certamente, de aprendizagem mútua, entre povos e culturas. Esta é uma empreitada em que as universidades se poderiam envolver.

 

Um casal francês, em que ele é arquitecto e ela jornalista, a viver nesta cidade há já algum tempo, construiu um prédio moderno na Rua da Luz e ali instalou o “Capverdesign Artesanato”, que se ocupa da produção e comercialização de artesanato de qualidade das diferentes ilhas. Para além disso, ela já publicou um livro sobre os rabelados da ilha de Santiago, nas versões francesa e portuguesa. Como este casal deve haver outros mais, que devem ser incentivados e estimulados.

 

Se tivesse tempo e disponibilidade traria ainda para debate um 5.º eixo: a Economia Sustentável, com a criação de recursos humanos e financeiros internos para menor dependência do exterior; e a Sustentabilidade do Ecossistema frágil da ilha, com a conservação e um melhor aproveitamento dos solos, dos recursos hídricos e marinhos e a criação de espaços verdes.

 

Termino aqui as minhas reflexões pondo-me à disposição para discutir convosco a sua validade, esperando ter agitado as águas à volta do temaUma economia do conhecimento para São Vicente”.

 

 

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