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ELECTRA, Ar(r)e que é demais!

Brito-Semedo, 16 Jun 15

 

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Hoje de manhã, quando saía de casa para voltar aos Serviços da ELECTRA, lembrei-me dessa frase moçambicana e pareceu-me ouvir o cozinheiro Carlos: “Patrão, a  ELECTRA… Não vale a pena!”

 

Convenhamos, a ELECTRA, aquela que foi uma tragédia grega do ano 466 a.C., foi ressucitada e é hoje em dia uma tragédia cabo-verdiana.

 

 

No início foi uma raiva explosiva passando horas depois a uma raiva contida dando lugar a seguir à uma profunda frustração e, por fim, a um estado de impotência. Não havia nada a fazer. Caíra nas malhas da ELECTRA e estava agora sujeito às suas regras internas e aos caprichos dos seus empregados.

 

Foram mais de 24 horas sem energia eléctrica devido a um erro da própria empresa pelo não-envio de uma factura no valor de 5.800$00 e, consequentemente, a sua falta de pagamento.

 

Contado, ninguém acredita.

 

Depois de um longo calvário, por anos, em filas de espera, passei a receber as facturas via e-mail para Pagamento Vinti4 mediante o envio de um código com a referência. Estava eu crente de que tudo estava a correr bem, fazendo, inclusivamente, a apologia da comodidade desse sistema, quando fui surpreendido por um corte de energia eléctrica.

 

Quem de direito (?!) mandou-me informar pelo segurança que não estava paga uma factura. Na verdade, a anterior e a posterior estavam liquidadas, mas não essa, por não ter sido enviada. Na hora da sua liquidação dei-me conta que tinha a pagar uma taxa de religação no valor de 1.283$00. É isso mesmo, uma taxa de religação! Mas isso não era nada comparado com o que viria a saber a seguir: a religação não seria feita de imediato e poderia demorar até 48 horas!

 

Por onde anda a ARE, a Agência Reguladora Económica de Cabo Verde?

 

AR(r)E que é demais!

 

Mais de 24 horas sem energia nos dias de hoje acarreta prejuízos incalculáveis e muitos transtornos porque sem computador, sem internet, sem rádio, sem electrodomésticos, sem a normalidade do dia-a-dia.

 

Aprendi em Moçambique que a forma mais expressiva de os populares dos bairros-de-caniço classificarem uma pessoa ou uma entidade a todos tida por inqualificável era: “Fulano… Não vale a pena!

 

Hoje de manhã, quando saía de casa para voltar aos Serviços da ELECTRA, lembrei-me dessa frase moçambicana e pareceu-me ouvir o cozinheiro Carlos: “Patrão, a  ELECTRA… Não vale a pena!”

 

AR(r)E que é demais!

 

Convenhamos, a ELECTRA, aquela que foi uma tragédia grega do ano 466 a.C., foi ressucitada e é hoje em dia uma tragédia cabo-verdiana.

 

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