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- José Pereira, 51 anos, natural do Mindelo. Fotógrafo da Natureza e amante da Poesia dá a conhecer aqui na Esquina do Tempo um seu projecto de livro onde junta essas duas paixões.

 

 

 

 

 

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Poeta Escritor

 

Não poderá haver qualquer engano naquilo que escrevo, 

escrevo sobre mim mesmo,
apesar de nisto tudo estar patente o meu paradoxo existencial
na verdade… não sei escrever
há um outro ser em mim…um outro eu
esse, desde miúdo achou-se escritor poeta
escreve sobre mim coisas que muitas vezes nem sequer entendo
diz que sou uma pessoa triste e escreve sobre essa amargurada tristeza
confunde-me em rimas e sentidas abstracções,
como se a minha vida fosse um jogo de palavras
mas no fim… reserva-me sempre um final feliz
deixa-me uma palavra de esperança.
E apesar de toda a presunção do que sobre mim escreve julgando-me conhecer
Gosto deste poeta que habita em mim.

 

- Zé Pereira

 

 

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 Estendal d' esperança

 

Nunca vesti mais do que a minha própria farda,
Nunca me troquei para qualquer vestir fardo,
As mesmas peças remendadas dormem todas as noites no mesmo estendal,
e todos os dias desço por caminhos que não conhecem marca de sapato.

 

No regresso encontro sempre o chão pingado não da lata de água que minha mulher carrega e seu único adorno desde criança,
mas pelo suor que mora no seu rosto
Desde criança trabalhou… nunca conheceu desemprego.

 

Mais um estendal d' esperança para o dia seguinte,
desta casa que nunca chorou pobreza e nunca abriu porta pra miséria.
Essa que gruda e destroça os espíritos desprevenidos.

 

E à noite, assim que o sol se põe,
As crianças esperam pelas histórias que eu invento a cada dia da cidade,
Histórias que sossegam a fome e os faz sorrir para as estrelas.

 

 _______

 

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Pó d´alma

 

Fica difícil perceber como a vida nos descalça,
assim a nó e sem dó
Por mais que tente perceber
Fica difícil entender… como sim,
Essa mesmas mãos que tantas vezes apertei
E um abraço procurei.

E hoje, nem sequer consigo encontrar,
um teu olhar…ou uma palavra sequer para te fazer ouvir.


Olho para os meus sapatos… e sim,
muito mais descalço do que tu
não percebo os meus caminhos,
não sinto o chão, a terra que me trouxe
essa que acarinhas todos os dias,


Faltam-me o pó dos teus pés,
Para me livrar de um nó maior
Esse que me aprisiona a alma e me deixa sem palavras e de olhos no chão
Esse que acarinhas todos os dias
E por toda a vida, os meus calos irei chorar
Sem saber o que sinto sapato algum me serve.

 

 _________

 

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Lição de vida

 

Estava ali sentada com olhar distante,
Sentada na marginal… não tirava os olhos do mar.

 

Permaneceu ali sentada, e no seu balaio, pouco mais do que dois maços de cigarros e meia duzia de drops e xuingas.


Enquanto me preparava para fotografá-la, observei cada ruga,
E imaginei suas lutas.


Eram 7H da manhã e imaginei-a ali, ela e o mar, o dia todo ao sol,
E o que aquele balaio iria lhe permitir ganhar.


Olhei uma vez mais para cada ruga,
E percebi que aquilo que uma mulher assim pode ganhar,
Dinheiro algum pode dar.


Mais do que uma fotografia, eu também ganhei…
…uma lição de vida.

 

- Zé Pereira

 

 

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1 comentário

De Pereira a 02.09.2015 às 10:45


Sem qualquer sombra de dúvida, óptimo trabalho no conjunto e não vejo quem possa encontrar um "mas".
Mas eu tenho um:
Mas quando se é profundamente caboverdeano isso nos emociona mais ainda.
Obrigado, meu homónimo pelo teu trabalho e pela tua sensibilidade.
Pereira

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