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 Foto cedida pelo Poeta Oswaldo Osório

 

 

Jaime de Figueiredo

 

Praia, 25.Novembro.1905 – 15.Outubro.1974

 

 

Jaime de Figueiredo foi conservador da Biblioteca Municipal da Praia, ensaísta, crítico, dramaturgo e artista plástico. Organizou a primeira antologia de poesia cabo-verdiana, Modernos Poetas Cabo-Verdianos (Edições Henriquinas, 1961).

 

Apesar de ter produzido mais de meia dezena de opúsculos e textos diversos, publicados de forma esparsa, e embora o seu nome esteja ligado à génese da revista Claridade (Mindelo, 1936-1960), da qual se afastou nas vésperas da saída do seu primeiro número, destaca-se aqui a vertente menos conhecida de Jaime de Figueiredo, a de artista plástico.

 

Jaime de Figueiredo (JF) reivindica para si próprio a posição de fundador da Claridade, o que assenta, segundo Arnaldo França (1986), na sua convicção de “uma prioridade na sintonização com os movimentos literários e artísticos do modernismo europeu, mais concretamente o português”.

 

Os finais dos anos vinte, inícios de trinta do século passado, terão sido fundamentais na conjugação de vários factores para o exercício de uma influência estética modernista sobre um grupo de jovens intelectuais residentes na Praia, de que JF era umas das figuras de proa, numa cidade que, em 1930, tinha à volta de 5.000 habitantes – portanto, um meio pequeno – com um convívio estreito e intenso entre os interessados na literatura e nas artes em geral.

 

As contribuições de Jaime de Figueiredo revelam-se numa miríade de aspectos. O intelectual português Julião Quintinha utilizou, em 1928, desenhos de JF para ilustrar um número especial do Jornal da Europa que organizou, “desenhos [esses] que atestavam já um conhecimento das modernas correntes artísticas” (França, op. cit.). O artista plástico surrealista e homem de teatro António Pedro [da Costa] (Praia, 1909 – 1966) chegou à Praia, em 1929, portador da novidade estética europeia e discute-a com JF, que viria a ser o autor do desenho de capa do seu livro de poesia, Diário (Praia, 1929). É, no ano seguinte, pela mão de António Pedro, que Jaime de Figueiredo viria a apresentar-se no Salão dos Independentes, em Lisboa, com duas pinturas e oito desenhos, seguindo a estética modernista. Pelo estabelecimento de laços de correspondência e de colaboração com a revista coimbrã Presença, a partir de 1929, JF passaria a ser seu delegado em Cabo Verde, tendo-lhe oferecido um dos seus desenhos, de entre os expostos no Salão dos Independentes, que foi usado como capa de um dos números.

 

Um depoimento de João Lopes feito a um programa da Rádio, em 1953, é o que melhor caracteriza, na nossa perspectiva, Jaime de Figueiredo, enquanto artista plástico:

 

“Nestas alturas, o Jaime fixa o seu “atelier” nos baixos de prédio da Casa Madeira e pinta febrilmente com pincel e caneta, produzindo obras que surpreendem António Pedro pelo vigor e viveza das suas cores mas, helas! Faz um dia, para rasgar num outro dia, na ânsia de se aperfeiçoar.

 

Deste choque, do movimento, conversas, passeios e tertúlias resulta o livro de poemas Diário de António Pedro, em que Jaime interveio com as suas sugestões e com uma linda caneta-capa, desenho de uma “badia” dançando o batuque.

 

A custo e quase que às escondidas do Jaime, o António Pedro consegue levar para Lisboa alguns quadros a óleo daquele, que, expostos em Lisboa, no primeiro Salão dos Independentes, obtiveram honrosas classificações. […].

 

Os seus assuntos de desenhos caracterizam-se pelas observações vividas nos casos locais, gentes humildes, carregadeiras de ponte e carvoeiros de mãos calejadas, etc. São desenhos-esculturas, em que o volume e os músculos de gente da gleba se faz ressaltar na sua movimentação de um realismo surpreendente” (Lopes Filho, 2007, pág. 110).

 

Em 1931, é anunciada na Praia a publicação de uma folha de arte e cultura intitulada Atlanta, a ser dirigida por Jaime de Figueiredo, que trataria, especialmente, de poesias, estudos sociais, novelas, inquéritos e desenhos. Entretanto, JF transfere-se para S. Vicente, cuja estadia se prolonga até 1937, e o projecto da revista acaba por não se concretizar, aparecendo, entretanto, a revista Claridade. É assim que, para Jaime de Figueiredo, “a influência estética do grupo ‘atlanta’ sintonizado com a doutrinação do ‘presença’, e mais tarde dinamizada por próximos contactos em S. Vicente [...] veio resultar na criação do grupo e fundação da revista Claridade” (Jaime de Figueiredo, 1961:XVII).

 

A posição proeminente de Jaime de Figueiredo é uma referência da modernidade nas artes plásticas cabo-verdianas [...].

 

Completa a dimensão artística de Jaime de Figueiredo uma dimensão dramática, expressa na publicação de um argumento de bailado folclórico em quatro quadros, Terra de Sôdade, editado nos anos 40 na Revista Atlântico.

 

Leão & Brito.jpeg

 

Leão Lopes e Brito-Semedo

 

 

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