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Jog de futbol na fraldas – Estórias

Brito-Semedo, 10 Ago 15

 

Jogo.jpg

 Foto Hélder Doca, 27.05.2015

 

 

Boa tarde, Lalela, este domingo está a passar devagar e deu para lembrar umas coisas, quando parei tan na lembrança de Bitina.

 

Bitina morava na Mont'susseg naquele altinho de terra de lod d'riba de campo de futbol de Mont'susseg. Era uma renca de cinco casinhas de gente tud de mesma família.

 

Durante tempo de féria de jog no Stadium da Fontinha, tarde de domingo era passado mi ma Papai na fraldas a ver jog de Badiu contra Boratcha e tud aquelés Time de malta que se juntavam para jogar futbol de d'zinfada.

 

Jog era sempre dois por domingo e mais animado que jog de Campo Novo, pois era jog de "putin" de caixa de cerveja ou de outra aposta qualquer, pelo que era coisa séria.

 

Domingo era único dia em que Papai não apanhava o seu tchassco depois d'almoço... que era acabar de comer última garfada e seguir logo para Mont'susseg. Para não chegar tarde às vez até tomava táxi.

 

Ficávamos sempre lá na soleira daquelas casas pois papai e aqueles outros sr. de morada tinham, mutchinha reservada e havia sempre umas bafas e uma cervejinha frisquim, para eles e Eu tomava sempre umas duas sopirinhas geladinhas que tinham ficado de véspera nas celhas cheias de gelo que compravam lá na Frigorifica ou na Congel, para bebida estar fresca no dia de jog.

 

Monte Sossego.jpeg

Monte Sossego, Rua 1 

 

Papai ficava sempre no mesmo sítio, pois ele era padrinho de uma das filhas de D. Bia que até tinha mesmo nome de papai. Era a Bitina.

 

Bitina foi meu primeiro amor... de ficar a olhar um pa ot feito dois taná, sem dizer nada, para além de uns sorrisos envergonhados.

 

Só mais tarde vim falar com Bitina, numa picapada, lá no Mont'susseg no terraço da casa de sua tia. Dancei com ela e foi lá que demos o primeiro beijo. Eu e Bitina tivemos um namoro de dois anos, de encontros na Praça Estrela, na mar, no Lazareto ou Cova D'inglesa e nos fins de semana de jog no campo de Mont'susseg.

 

Uns vinte anos mais tarde encontrei Bitina na tchon de Lisboa, casada e com filhos e um marido francês. Ela imigrou para França casou e era feliz.

 

Ela disse-me assim em crioulo para o marido não entender, enquanto segurava as minhas mãos:

 

– Um divia ter casod ma bô... se bô cá tivesse binde pa Portugal.

 

Os nossos olhos ficaram marejados de lágrimas... Guardo ainda o olhar doce e o riso dela. As recordações que tenho de Bitina.

 

Oeiras, 2015/08/09
D'joe

 

 

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1 comentário

De Valdemar Pereira a 10.08.2015 às 11:34

Felizmente que nem o Djô nem o Lalela ti ta esperà comentàrios para continuarem a trazer essas cuzinhas sabim d'munde. Nô precisà esgrovetàs paquem idade vai chegando e cabeça vai ficando cansode.
Não sei desde quando o Djô saiu d'SonCente mà ainda ele ta falà quel criole de nôs terra, qu'ê um sinfonia registode qu'gente ca ta esquecê.
Bravo, Jorge !!!
Màs ote estorinha.
Braça pertode.

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