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A Estatização da Cultura

Brito-Semedo, 27 Dez 14

 

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À atenção de Flávio Furtado, Presidente da Federação Cabo-verdiana de Boxe

 

 

Afinal, com a criação do BUDA o Ministro da Cultura extinguiu a SOCA à socapa ou o socou nas partes baixas? Neste jogo de show boxe o BUDA, por ser peso pesado, atirou a SOCA, peso pluma, ao chão.

 

Resultado do primeiro round: BUDA 1 X SOCA 0! E continua, assim, a sanha da centralização e estatização da Cultura por esse Ministro.

 

Desde que em Abril de 2012 o Presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (SOCA), o escritor Danny Spínola, acusou o Ministro Mário Lúcio de “querer colocar Djô da Silva, ‘o seu produtor’, a cobrar os direitos autorais em Cabo Verde, para além de outros jogos de bastidores a favor desse operador privado (ler o texto na íntegra aqui), que se instalou uma guerra entre a SOCA, pessoa colectiva de direito privado, e o Ministro da Cultura.

 

Em comunicado, o Presidente da SOCA afirmava na ocasião que a instituição já tinha reunidas “as condições básicas para desempenhar o seu papel de gestão colectiva dos direitos autorais em Cabo Verde e que isso só não tem [tinha] acontecido por dificuldades criadas pelo Ministério da Cultura”.

 

Ao que tudo indica, foi dado agora o troco à SOCA para confirmar o provérbio de que “garrafa não joga com pedra”.

 

Boxe.jpeg

 

 

Segundo a Semana online de há dois dias, “O Governo, através do Ministério da Cultura, acaba de criar o Bureau de Direitos Autorais (BUDA), organismo que se vai responsabilizar pela cobrança e distribuição dos direitos de autor e conexos. Gerir os direitos, promover a cooperação das sociedades de autor, propor leis para desenvolver o registo autoral são algumas das valências deste organismo que vai funcionar junto da Direcção Nacional das Artes”.

 

Juntando estas duas notícias, facilmente se chega à conclusão de que alguma coisa vai mal por essas bandas e de que este “feijão tem toucinho”. Alguém que me explique, como se eu fosse muito burro, a ver se entendo. Afinal, com a criação do BUDA o Ministro da Cultura extinguiu a SOCA à socapa ou o socou nas partes baixas? Neste jogo de show boxe o BUDA, por ser peso pesado, atirou a SOCA, peso pluma, ao chão.

 

Resultado do primeiro round: BUDA 1 X SOCA 0! E continua, assim, a sanha da centralização e estatização da Cultura por esse Ministro!

 

A bem da verdade, nunca gostei da sigla SOCA por me remeter para uma imagem rural básica de um caule de milho seco, prenunciando que dali não viria fruto nenhum. Depois de quase dez anos – a SOCA foi criada em Fevereiro de 2005 – os resultados trazidos para os seus associados são pouco mais que nada. Já quanto ao BUDA, pela imagem que invoca e pelo peso que tem, espero que faça com que os autores cabo-verdianos – artistas plásticos, actores, dançarinos, músicos, escritores e investigadores – alcancem a sabedoria e o conhecimento supremos para cobrar e receber os seus direitos autorais.

 

Buda.jpg

 

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2 comentários

De Adriano Miranda Lima a 28.12.2014 às 20:29

Não posso pronunciar-me porque não conheço bem os contornos deste diferendo. Mas fico com a ideia de que o SOCA quis ter o peso do Buda e não conseguiu os seus intentos. Será que não teve alimento capaz ou foi por ter descurado os cuidados com a alimentação?

De Brito-Semedo a 28.12.2014 às 22:34

De há uns tempos para cá decidi que a Esquina do Tempo, com as suas "alfinetadas culturais", devia denunciar os desmandos cometidos na área da cultura e do ensino superior. Ficar calado é pactuar com o que se faz por cá. Votos de Boas-Festas e que 2015 seja melhor para todos nós e ponha juízo na cabeça dos nossos dirigentes.

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