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 - Arsénio Fermino de Pina, Pediatra cabo-verdiano e sócio honorário da Adeco (Associação da Defesa do Consumidor)

 

O estudo de situações patológicas e traumáticas que afectam o cérebro ajuda-nos a compreender melhor as funções cerebrais. Eis algumas.

 

Charles Whiteman subiu ao topo da torre do último andar de uma universidade do Texas e daí liquidou, a tiro, os estudantes e turistas que avistava. Tinha sido escuteiro, fuzileiro naval, bancário e detentor de um QI elevadíssimo. Morto pela polícia durante essa tragédia, foi autopsiado; o seu cérebro continha um tumor de pequena dimensão que invadira o hipotálamo e comprimira a amígdala, regiões que regulam a emoção, sobretudo no capítulo do medo e da agressividade. Uma amiga confessou depois que, nos últimos tempos, dava a sensação de instabilidade e que estava a tentar controlar algo dentro dele. Presume-se que esse “algo” fosse a sua colecção de programas coléricos e agressivos.

 

Será que Whiteman, se não fosse morto, poderia ser considerado imputável no julgamento, tendo-se diagnosticado o tumor? Até que ponto é que uma pessoa está em falta se o seu cérebro apresenta uma lesão que não foi escolhida por ela? Afinal, não somos independentes da nossa biologia. Cadê do livre-arbítrio (a capacidade de actuação sobre as coisas do mundo por iniciativa própria) nessas situações?

 

Alex começou a ter preferências sexuais esquisitas, ao contrário da sua norma. Passou a coleccionar pornografia infantil, revistas e fotos pornográficas e a procurar prostitutas. A mulher resolveu levá-lo ao médico de família, que o encaminhou a um neurologista, tendo este descoberto, por exames complementares, que tinha um tumor cerebral no córtex frontal. Removido o tumor, Alex retomou a normalidade.

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Enigmas e Maravilhas do Cérebro (3)

Brito-Semedo, 17 Dez 13

 

 - Arsénio Fermino de Pina, Pediatra cabo-verdiano e sócio honorário da Adeco (Associação da Defesa do Consumidor)

 

Experiências em gatos e macacos de secção do corpo caloso – conjunto de fibras no meio do cérebro que ligam os dois hemisférios, direito e esquerdo – quase nada provocaram de anormal, ao contrário do que se temia. O mesmo procedimento foi realizado (1961) em doentes que sofriam de formas graves e incapacitantes de epilepsia resistente a tratamento. Mesmo com as duas metades do cérebro separadas, os doentes comportavam-se aparentemente bem: memória conservada, aprendizagem perfeita, podiam rir, dançar e divertir-se. Estes doentes, no entanto, adquirem a habilidade de fazer algo que antes não faziam nem ninguém consegue fazer: desenhar um triângulo com uma mão e, simultaneamente com a outra, um círculo. A operação levou à melhoria da epilepsia, dado que a crise começada num hemisfério não passava para o outro hemisfério devido à secção das fibras.

 

Doentes cujos hemisférios cerebrais foram separados podem abotoar com uma mão os botões da camisa e com a outra mão tentar, simultaneamente, desabotoar-se, habilidade que uma pessoa normal não consegue realizar.

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