Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

 

Lançamento Esquina 2.jpg

 

I. Palavras de Protocolo

  • Cumprimentos à Instituição de acolhimento deste evento, Apresentação do livro de Manuel Brito-Semedo, ao Auditório BCA/Garantia
  • Cumprimento à casa Editora, o “Expresso das Ilhas”
  • Cumprimento de parabéns ao Autor, o amigo Manuel Brito-Semedo
  • Cumprimentos à escritora Dina Salústio que tão bem sabe como se deve olhar para os livros, ou não fosse ela escritora
  • Saudação aos presentes.

 

II. Intervenção

(A. Em apreciação confirmativa)

  1. Devo confessar que me sinto muito honrado pelo convite do meu amigo e colega (e ex-aluno) para cooperar na apresentação deste seu livro, muito interessante livro.
  2. Não irei demorar-me muito, talvez dez ou doze minutos de leitura, porquanto o essencial já foi dito pela estimada amiga e admirarativa, escritora Dina Salústio. Ela dissertou judiciosamente sobre os méritos do livro, até pelo facto de também ser uma exímia cronista.
  3. A palavra “Crónica” é referencial, indica cronos, o tempo próximo passado, e os assuntos que suscitam a atenção do autor, assuntos que devem ter alguma coisa de pitoresco, de insólito, de relevante.
  4. A crónica obedece principalmente à lógica da analogia. Entre o facto e a crónica ocorre uma relação de causa e efeito. Mas, depois, na matéria da crónica reina a analogia, que as conversas são como as cerejas, vêm uma atrás das outras: o tempo passado recente suscita a crónica que, depois, pode por analepse mergulhar em tempo antigos para explicar os mais recentes.
  5. O enfoque da crónica requer um ângulo de coisa bem observada, como a fotografia que mostra aquilo que todos nós podemos ver, mas mostra-o por numa perspectiva de observação inusitada.
  6. Por isso, a crónica é um género difícil, implica o interesse do assunto, o interesse para o autor e a sua convicção de que interessa ao leitor e, mais difícil ainda, um exercício de escrita, um estilo apropriado.
  7. Estou a encaminhar o que digo num sentido intencional. A crónica tende a obedecer a um estilo a que não falta uma ponta de humor, de leveza, de distensão e até de irreverência. Disse há pouco que a crónica obedece à lógica da analogia, das conversas como as cerejas. A crónica é um espaço por excelência de coloquialidade, de um certo “tu cá tu lá”.
  8. Para minha grande surpresa e contentamento, Manuel Brito-Semedo é hoje dono de um estilo bastante fluído, coloquial, não raro tocado pelo afecto, sensibilidade, humanidade, delicadeza, de reverência pelos mais-velhos. Como se diz na gíria, são textos bem “muito bem esgalhado”. Em certa teoria literária diz-se que, neles, a forma se ajusta ao fundo, que a linguagem-estilo se ajusta perfeitamente ao assunto.
  9. Este louvor serve para me redimir de um pecado aos olhos de Manuel Brito-Semedo. Há trinta e cinco anos, disse-lhe com a autoridade a que eu tinha direito, que a sua linguagem-estilo era dura, sem flexibilidade. Hoje, revela-se ser exactamente o oposto, impregnada de “souplesse”, estilo flexível, ágil. Muito agradavelmente surpreendido, tanto mais que não raro faz uso dessa retórica tão difícil que é a auto-ironia.
  10. Sublinho ainda o facto, além das crónicas, o livro incluir recensões de obras e artigos sobre literatura, assim granjeiando do mérito de valer como vademecum, mnemónica, fonte de consulta, tantas e tão oportunas são as informações que presta de muito interesse e proveito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Crónicas do Expresso das Ilhas"

Brito-Semedo, 12 Out 17

 

Esquina do Tempo.jpg

A Esquina do Tempo, que começou como Crónicas de Diazá em 2009, fez-se blogue em 2010, produziu Crónicas de Mindelo em 2014, apresenta agora Crónicas do Expresso das Ilhas. Um convite para revisitar a esquina do tempo inicial.

 

Para os meninos da minha infância da Chã de Cemitério, periferia da cidade do Mindelo, ilha de São Vicente – estou a falar dos anos sessenta – as pontinhas (esquinas ou pontas de esquina do nosso bairro) tiveram uma função importante de socialização, de iniciação na vida adulta e de transmissão de conhecimentos, sendo, portanto, suportes da nossa memória tanto colectiva como individual.

 

As nossas brincadeiras da infância ou da meninência estavam praticamente circunscritas a dois grandes largos. Um era o Largo John Miller, que se estendia da estrada, situada entre os clubes de ténis do Castilho e do Mindelo, até à Praça da Salina (Praça Estrela). Do outro lado da estrada ficava o nosso largo, sem qualquer placa ou nome oficial, mas delimitado por duas importantes referências naturais: a pontinha de Nhô Fonse, num extremo, e a pontinha de Nha Teresa, noutro, com as nossas casas no espaço circundante.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • Reyan

    Só música de qualidade! Instrumentos de corda real...

  • Anónimo

    Oi sou cabo-verdiano, estou aqui de passagem, esto...

  • Regiane

    Exelentes musicas . Me faz recordar o tempo do meu...

Powered by