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Foto Hélder Doca, Outubro de 2015

 

 

– Boa-noite! Deus nos dê boa-noite!

 

Cumprimento-te, Djô, à moda de diazá, do tempo da Nha Violante e da Nha Liza, as nossas avós, de saudosa memória.

 

Desde ontem que me deste fala e me puseste perante e o facto de ter de te responder e retribuir pelas estórias que vens partilhando comigo há já algum tempo, que tenho estado ansiosamente à espera da boquinha da noite para “assistir no largo”, que é como quem diz, inverter os papéis, dirigindo-me agora eu a ti. Sim, à noite porque os afazeres do dia não deixam espaço para viagens pela memória dos tempos.

 

Djô, vejo em ti todas as características de quem viveu a sua infância com a avó. Falo por mim. É que sabes coisas e estórias de diazá na munde, mais antigas do que a tua própria idade. Só pode.

 

Na verdade, o que tu tens, Rapaz, é um dom incrível de, juntando as estórias de diazá – ouvidas umas, imaginadas outras – às tuas vivências de infância, recriar outras estórias, num estilo e numa linguagem próprios que já te são peculiares e que classifico como “estórias do Djô”. Elas mais parecem uma cachupa cozinhada no lume de lenha ou de carvão de pedra, temperada com uns bons nacos de toucinho velho salgado ou cabeça de albacória e bem apurada. Sabe de munde! Come-se e lambe-se os beiços, ou melhor, lê-se e quere-se ler mais, sempre mais.

 

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Última Serenata – Estórias

Brito-Semedo, 16 Fev 16

 

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Uma serenata em homemagem a Manel d'Novas, com Voginha no violão, Foto sodadeonline.com

 

 

Boa noite, Lalela! Faz tempo que não te dou uma fala. Mas hoje lembrei-me e passei só para mandar mantenha. Entretanto, e depois daquela conversa que tivemos, não sei se estás lembrado, de tempo em que serenata era coisa de respeito, não era mantchulada nem vluntaréza, recordei-me da estória de um grande tocador de violão de Mindel de diazá e um dos grandes cultivadores das “nossas” serenatas. Lembrei-me de Junzin de nha Djóca. 

 

Junzin de nha Djóca, desde que tinha perdido sua companheira – Xandinha de nha Mari d’Jesus, que tinha fugido com aquele tropa pa tchon d’Lisboa – que passou uns anos de tristeza, curada na boca d’garrafa, bebendo tud casta de coisa, desde que ficasse fusco dogód, para acordar já na segundo canto d’gol, compor cabeça com um bom copo d’grôg e ir, ainda meio dogod, pegar na trabói.

 

Quase que perdia seu trabói de marceneiro, fino, que ele tinha. Sorte foi Sr. Inginher que gostava dele e que foi fechando os olhos, enquanto tentava ajudar ele a largar vida de bibida. Até que um dia, Sr. Inginher disse para Junzin, com aquele ar trocista que ele tinha, com seu canhót espundród na boca, mas sempre apagado, que ele dizia que era para não esquecer o vício,  que Junzin não era capaz de fazer um violão como aqueles que vinham de stranger, só por causa de gata d’bibida, para ele poder voltar a sair a fazer serenata e tocatinas de estudantes, que ele tanto apreciava.

 

 

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