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Mia Couto ganha “Nobel” americano

Brito-Semedo, 2 Nov 13

 

O escritor moçambicano Mia Couto foi distinguido com o prémio internacional de literatura Neustadt, atribuído pela Universidade de Oklahoma desde 1970.

 

A lista de nomeados para o prémio da Bienal Internacional de Literatura Neustadt integrava o escritor argentino César Aira, a vietnamita Duong Thu Huong, o ucraniano Ilya Kaminsky, o japonês Haruki Murakami, o norte-americano Edward P. Jones, o sul-coreano Chang-rae Lee, o palestiniano Ghassan Zaqtan e Edouard Maunick, das Ilhas Maurícias.

 

Atribuído de dois em dois anos pela Universidade de Oklahoma desde 1970, no valor de 50.000 dólares (37 mil euros), o galardão já distinguiu, entre outros, o brasileiro João Cabral de Melo Neto, Álvaro Mutis, Octávio Paz e Giuseppe Ungaretti.


Além do cheque, Mia Couto vai receber uma reprodução em prata de uma pena de águia.

 

Mia Couto é o pseudónimo de António Emílio Leite Couto, de 58 anos, autor que já recebeu os prémios Camões, Eduardo Lourenço e o da União Latina de Literaturas Românicas.

 

O autor de Terra Sonâmbula e de Estórias Abensonhadas já recebeu o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos, o Prémio Vergílio Ferreira, da Universidade de Évora, o Prémio União Latina 2007, de Literaturas Românicas, o Prémio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, do Brasil, e o Prémio Eduardo Lourenço, entre outros.

 

A Confissão da Leoa, editado o ano passado é o seu mais recente livro.

 

 

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Mia Couto, Prémio Camões 2013

Brito-Semedo, 18 Jun 13

Escritor Mia Couto, Presidentes Dilma Rousseff (Brasil) e Cavaco Silva e Primeiro Ministro Passos Coelho (Portugal)

 

Meus senhores e minhas senhoras

 

Sempre pensei que, em ocasiões como esta, se deve fugir ao estereótipo dos agradecimentos e dedicatórias. Os prémios não se dedicam: partilham-se. Aqui nesta sala estão algumas das pessoas que partilham comigo esta distinção: a minha mãe, Maria de Jesus; a Patrícia, minha mulher; os meus filhos Madyo, Luciana e Rita; estão aqui familiares e amigos, que representam o universo de afectos com quem, dentro e fora de Moçambique, fui tecendo a minha obra. Está aqui o meu editor desde a primeira hora, o Zeferino Coelho, que se ocupou em que eu não me desocupasse nunca dos labores e do prazer da escrita. Todos estes familiares e amigos são co-autores dos meus livros. Mas há alguém com quem quero partilhar especialmente este momento: o meu pai, Fernando Couto. Foi ele que me ensinou não apenas a escrever poemas, mas a viver em poesia. Este prémio pertence a esse sentimento do mundo que ele me legou como uma sombra que resta mesmo depois de tombar a última árvore.

 

Partilho, finalmente, este momento com a gente anónima de Moçambique, essa multidão que fabrica a nação viva e sonhadora que venho celebrando há mais de trinta anos. Parte dos moçambicanos que, junto comigo, assinam os meus livros não sabe escrever. Muitos não falam sequer português. Mas guardam no seu quotidiano uma dimensão mágica e poética do mundo que ilumina a minha escrita e encanta a minha existência. Toda esta nação de gente tão diversa faz-se aqui representar pelo embaixador de Moçambique, o meu compatriota Jacob Jeremias Nyambir, a quem eu também saúdo como companheiro da luta pela independência nacional.

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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