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Capacete de 40 Óne, Rito de Passagem

Brito-Semedo, 2 Nov 14

 

Capacete.jpeg

  

 

Para as Verdianas nascidas em 1975

 

 

O capacete é um símbolo do poder usado por homens que a mulher se apropria aos 40 anos e legitima como seu, ser dona da sua própria cabeça, da sua própria vontade.

 

 

Fidjinha m’nina nova

casá q’ ôme de 80 óne.

 

Oi, ôme, Nhô Antôn Dóia,

bocê tró-m êss capacete,

capacete de 40 óne.

 

Bocê tró-m êss capacete,

capacete de 40 óne.

 

Cantiga Popular

 

 

Desde as sociedades primitivas, determinados momentos na vida de seus membros são marcados por cerimónias especiais, conhecidas como ritos de iniciação ou ritos de passagem, que são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no seio da sua comunidade.

 

Os ritos de passagem são realizados de diversas formas, dependendo da situação celebrada, que vão desde rituais místicos ou religiosos, passando por assinatura de papéis, às praxes. Os mais comuns são os ritos ligados a nascimentos, formaturas, casamentos e morte.

 

Estas cerimónias, mais do que representarem uma transição particular para o indivíduo, representam igualmente a sua progressiva aceitação e participação na sociedade na qual está inserido, tendo, portanto, tanto o cunho individual quanto o colectivo.

 

Nos ritos de passagem das meninas, que decorrem de aspectos biológicos, assinala-se a primeira menstruação, que marca a sua passagem da infância para a adolescência e a perda da virgindade, o seu iniciar na vida adulta. É por demais evidente que isso acontece em ambientes culturais e antropológicos tornando-os específicos de uma dada sociedade e ou comunidade.

 

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Capacete 1.jpeg

 

Há já algum tempo que me intriga não conseguir encontrar alguém que me saiba explicar o significado do costume de as mulheres, sobretudo em São Vicente, “porem capacete”, no sentido real do termo, para celebrar os seus 40 anos. Cheguei, inclusivamente, a ser desafiado a dar essa explicação.

 

O processo de pesquisa está em curso e as informações já conseguidas dão-nos conta que, por detrás dessa praxe, que já se está a tornar numa tradição, há um estória verdadeira, acontecida com uma menina da Boa Vista, burlesca, com alguma malandrice pelo meio e “tirada” em cantiga.

 

Pode-se já adiantar que, afinal, não é pôr “capacete dos 40 anos”, antes pelo contrário, é tirar o “capacete” de 40 anos!

 

Prometo explicar isso tudo, tintim por tintim, no próximo post da Esquina do Tempo.

 

Até lá, fiquem atent@s.

 

Capacete 1.jpeg

 

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