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Ti Goi

Brito-Semedo, 20 Dez 12

 

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Gregório Gonçalves, ”Ti Goi”, nasceu em S. Vicente a 10 de Abril de 1920, onde viria a falecer a 17 de Junho de 1991, aos 71 anos de idade.

 

Mais conhecido por “Ti Goi”, foi um letrista e compositor que retratou de uma maneira particularmente picante os hábitos e costumes Mindelenses, dos quais se revelou sempre um grande e perspicaz observador.

 

Comediógrafo, escreveu e encenou pequenas peças de teatro, principalmente no Lombo.

 

O seu amor pelas crianças, que também o amavam, e a sua contribuição para o enriquecimento do Carnaval Mindelense são traços que o perfilam como o artista mais estimado nos bairros de Mindelo.

 

É autor de famosas coladeiras e mornas, de entre as quais se pode citar "Rabonhe", "Picapada", "Matá Morto" e "Vaquinha Mansa".

 

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Músico e Compositor Gregório Gonçalves

 

(S. Vicente, 10.Abril.1920 – 17.Junho.1991)

 

 

Perfazem hoje precisamente dez anos [vinte, nesta data][1] em que deixou o mundo dos vivos o nosso saudoso músico e compositor Gregório Gonçalves que foi mais conhecido por Ti Goi.

 

É com saudades que relembramos essa figura típica do Mindelo que muito fez para a cultura caboverdiana, não só no domínio da música onde se consagrou como um dos melhores compositores do género “coladeira”, mas também como homem do teatro e carnaval.

 

Coladeiras da sua autoria feitas há mais de três e quatro décadas, estão sendo apreciadas e dançadas no mundo inteiro, através dos trabalhos discográficos de Cesária Évora, nomeadamente “Cinturão tem mel”, “Vaquinha mansa”, “Nutridinha” e tantas outras.

 

Falando do carnaval, recordo que nos anos 60 em que decaía o carnaval mindelense, face ao desaparecimento dos grandes grupos “Oriundo” e “Estrela da Marinha”, lá desfilava ele apenas com o seu grupo “Lombiano”, no intuito de animar as ruas da cidade, resistindo assim, estoicamente, ao desaparecimento de uma das mais belas e tradicionais festas de São Vicente. Chegou mesmo a incentivar o surgimento de outros grupos como o “Flor Azul” e “Rio de Janeiro”, para que o “Lombiano” não saísse sozinho e assim haver competição.

 

No domínio do teatro, quem daquela época não se lembra dos bem humorísticos “sketches” e mesmo algumas peças que ele escrevia e encenava para serem interpretadas pelo “Conjunto Cénico Lombiano” e depois do grupo “Selecção de Sucessos” e que muito deleitavam as pessoas que acorriam em massa ao Eden Park e outras salas e quintais com palcos improvisados.

 

Quantos músicos sanvicentinos e não só, que se tornaram famosos e que passaram pelas mãos do Ti Goi. Quantos talentos por ele descobertos. Recordo o Travadinha que ele trouxe de S. Antão ainda jovem e que já era exímio violinista e guitarrista; a nossa Cize, que já na década de 70 registou em singles coladeiras da autoria de Ti Goy; Longino, como vocalista e talentoso actor de teatro, era menino de Ti Goi. Mais tarde, recordo os garotos de então, hoje grandes artistas, que frequentavam a casinha humilde de Ti Goi ali no Lombo, tais como: Tito Paris, Voginha e muitos outros, sempre na mira de beber um pouco da sabedoria desse grande vulto no domínio musical. No início dos anos 80 foi ele quem descobriu a voz de Fantcha através dos ensaios de carnaval no “Grupo Flores do Mindelo”. Muitos outros poderiam ser citados.

 

Com Ti Fefa, Djack Estrelinha, Lela Preciosa e outros fundou o memorável “Conjunto Musical Benitómica” que muito sucesso fez nos bailes de então. Actuava como baterista. Lembro o jeito peculiar que ele tocava esse instrumento, que na altura se intitulava de “Jazz”. Fez umas inovações nas batidas, o que se convencionou chamar “estilo Ti Goi” e que mais tarde foi seguido por outros bateristas de S. Vicente.

 

Não foi por acaso que, a partir de 1980 lhe foi atribuído pelo então governo de Cabo Verde uma pensão de sobrevivência como reconhecimento pelo muito que fez pela nossa cultura.

 

Falecido aos 71 anos de idade, Gregório Gonçalves foi realmente quem praticamente dedicou quase toda a sua vida em prol da cultura caboverdiana, mas que, infelizmente, pouco ou nada se tem dito e da sua obra no campo musical. Por ocasião da morte dele foi-lhe dedicado nas páginas do jornal A Semana um belo artigo da autoria do Dr. Moacyr Rodrigues e, a partir daí quase que nada mais, a não ser uma pequena homenagem levada a cabo, há tempos, nos Salesianos.

 

Torna-se, pois, necessário que se dê a conhecer à nova geração e às vindouras a obra no campo cultural que esse homem simples do povo levou a cabo durante a sua existência terrena, senão corre-se o risco de, num futuro não muirto longínguo, cair no olvido essa que foi uma das mais importantes figuras da vida mindelense.

 

S. Vicente, 17 de Junho de 2001

 

António Teodorico Estêvão (Toy Estevão ou Toy de Nhana)

 


[1] O texto foi escrito a 17 de Junho de 2001, portanto, dez anos atrás, garantindo o seu autor que, até à data, não houve qualquer facto que alterasse a situação aqui referida.

 

Coladeiras de autoria de Ti Goi:

 

Nutridinha,

Sabine Largam,

Nho Antone Escaderod,

Rabonhe,

Golosa,

Saiko Dayo,

Canetada,

Vaquinha Mansa,

Juvita de Praça,

Saia Travada,

Pé di Boi,

Amor de Fantasia,

Cinturão Tem Mel,

Corveta,

Sardinha de Ribeira Bote,

Terezinha,

Ingrata.

 

 

NOTA: Recebi indicação do Amigo Veladimir Cruz (Lisboa), filho de B-Léza, que as coladeiras "Nho Antone Escaderod" e "Saia Travada" não são de autoria de Ti Goy, contrariamente ao que aqui foi dito, mas de B-Léza e Luís Rendall, respectivamente. As minhas sinceras desculpas por isso e um obrigado e um grande abraço ao Amigo.

 

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