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Era uma vez um m’nine-andêje e traquinas que se fez homem e marinheiro na terra-longe, nas sete partidas do mundo, e voltou para se fixar na sua ilha do Porto Grande – viver na Praia é apenas uma variável dependente e contingencial determinada por um amor de bidjiça. Mas a culpa não morreu solteira!

 

Esse m’nine-ôme faz de conta e relata as estórias vividas, presenciadas e ou que lhe foram sendo contadas e consegue deixar-nos suspensos entre a realidade e a imaginação, entre a verdade e a ficção, separadas por uma linha muito ténue da fantasia.

 

Quando m’nine na escola-de-rei ficou com a minha professora da 1.ª e 2.ª classe, a Menina Lourdes Matos Serradas, e éramos rivais no futebol. Ele, um fominha de bola e ferrenho adepto do Clube Sportivo Mindelense, mais por causa do Pai, o Ti Djô Figueira, seu eterno Presidente, e eu, do Grémio Sportivo Castilho, uma opção natural para quem era da Chã de Cemitério, onde ficava a sede do clube. Aos dezassete/dezoito anos, o destino passou-nos calaca e deu-nos rumos diferentes. Andêje, ele foi correr mundo e eu, lofa, optei por criar o mundo na imaginação dos livros e da espiritualidade.

 

O Sol girou óne-de-riba-d’óne à volta da terra e, um dia, voltamos a encontrar-nos na nossa cidade do Mindelo.

 

E é este homem que me dá a honra de ser nha bróda – Tchalê Figueira, m’nine-andêje de ponta-de-praia, artista e ôme-de-stórias.

 

Moro nesta ilha há mais de cinquenta anos & outros contos é um livrin bunzin i bnitin com treze contos curtos que me suscitam breves anotações, procurando seguir a classificação proposta por Érica Antunes no seu prefácio e a ver se identifico as personagens nas pessoas da nossa m’ninênça:

 

Os contos sobrenaturais, “Tô Djê”, “Depois de chover todo o dia”, “Finado vivo”, “O farol e o monstro” e “Pedro Silva“, que me faz evocar de almas de outro mundo que nos aterrorizavam quando m’nines – estórias de capotóna, de catchorróna, de gongom, de canelinha e de maçongues. Uabisca! Era um mede-da-gaita!

 

As memórias de infância, “Ribeira de Julião”, um ratrót fiel de SonCent de diazá na mund e da nossa inocência e traquinézas de m’nine trofel, sempre com escoriações nos joelhos, braço ou cabeça partida e dedo estortegód ou sem a barriga do dedóna embrulhado em tira de trapo.

 

O humor, “Peripécias em casa de um defunto”, “Lela”, em situações mais bizarras, mas risíveis.

 

O amor, “Salomão Levy”, o casanova que não nunca se tinha apaixonado, mas que um dia “vê a mulher mais linda da cidade e, sem saber por quê, fica completamente apaixonado”, mas tudo é contra ele, e “Ulisses à espera de Penélope”, cuja amada nunca chegará a Buenos Aires, supostamente o seu porto de destino, e deixa o amado, literalmente, a ver navio, numa permanente espera, “todos os dias, na boquinha da noite”.

 

A reflexão filosófica, “Moro nesta ilha há mais de cinquenta anos”, eventualmente o texto mais reflexivo e elaborado de Tchalê Figueira.

 

Chega! Se quiserem saber mais, façam o favor de ler as estórias, que não foi isso o combinado.

 

Antes de terminar, proponho um triplo viva: – Viva Tchalê! Viva mi! Viva nôs tud!

 

Bzôt bem pa nôs festa de bol ma vin. Brigada!

 

 

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