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Criada de dia, criada de serventia

Brito-Semedo, 7 Nov 11

 Foto de Carlos Loff Fonseca, gentilmente cedida pela esposa

 

Ess'ali na esquina é Maria dos Dores, a Bia.

Há anos, quando não havia água canalizada

Ela era jovem criada de servir, criada de dia

Carregava a água de Madeiral para morada.

 

Ela era tão garbosa, agradável, contentinha

Andou pela escola e outros predicados tinha.

Depois, a jovem pretinha cheirando a sabão

Com frescura no corpo, que nunca dizia não

 

Perdeu sua juventude, a honra e a inocência,

E para com ela, já ninguém tinha paciência.

Chegou a traiçoeira velhice, lançou as raízes

A miséria e a doença nas pernas com varizes.

 

A vitalidade da sua juventude desaparecia

Já não tinha forças para ser criada de dia.

Sem água canalizada a merda era enlatada

E na calada da noite por ela era despejada.

 

Como a Bia tinha de ganhar a subsistência

Para não pedir esmola e viver de assistência

Então, na esquina, contava as horas do dia:

às nove horas ia buscar a lata de serventia.

 

- Valdemar Pereira, Tours, França

 

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