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B.Léza e Cize na Eternidade

Brito-Semedo, 21 Dez 11

 

 

No Mindelo que os viu nascer e crescer, cada um a seu tempo percorrendo em idas e vindas de criança e jovem as ruas do Lombo, repousam agora tão próximos quanto nos velhos tempos em que ambos já viviam para a música – ele quase a concluir a sua viagem terrena, ela a despertar para um mundo feito de letras e melodias em que tão incontornavelmente se iria enredar. Era o destino.

 

Cesária tinha 17 anos quando B.Léza partiu. Outros compositores e músicos levaram-na para cantorias e bares, para as gravações na rádio, iniciando um percurso que hoje todo o planeta conhece. Na bagagem, levou as emoções musicais de B.Léza, dando a conhecer no mundo inteiro a sua arte de imbricar melodias inspiradas e versos de amor e dor. Ainda que muitos dos que se emocionaram com essas músicas não compreendessem a língua em que ele compôs e ela cantava. Mas isso nunca teve importância.

 

A morna, que os cabo-verdianos gostam de traduzir como sua identidade, tem nestes dois ícones como que “anjos da guarda” – poderíamos dizer, os “orixás” que Cabo Verde não cultua mas que à sua maneira e com aquilo que tem de melhor acabou por inventar? E, se apetecer, podemos imaginá-los a pairar de vez em quando sobre o Montecara. Espiam a placidez da baía – Oh, mar azul… – e o burburinho da rua de Lisboa, enquanto de algum botequim no Lombo, do rádio de um táxi qualquer ou de algum bar de hotel escapam uns acordes a falar de um cretcheu antigo e eterno.

 

Texto: Gláucia Nogueira (Praia, Cabo Verde)

Caricaturas: Paladino (São Paulo, Brasil)

  

 

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