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Minha ilha, minha prisão

Brito-Semedo, 2 Nov 11

  

Meu irmão ilhéu,

Este poema é teu

Minha ilha, meu paraíso imaginário, meu mundo

Minha ilha tão bela com o seu solo seco, imundo

Minha ilha sem ribeiros sem chuva sem Inverno

Minha ilha que me enclausura como num inferno

 

Minha ilha de fortes tentáculos tão imprevisíveis

Como sórdidos, também sabidos, imperceptíveis.

Ilha que segurou definitivamente o meu coração

Que não me doou uma alternativa ou compaixão

 

Ilha com as colinas e o seu Monte que é de Cara

Sua gente dedicada e resignada que nunca pára

O seu Porto que foi Grande e muito frequentado

Eu, meu corpo aqui meu espírito lá acorrentado.

 

Ilha com as praias de areia branca de rara beleza

Com seu céu azul e o mar límpido de anil e pureza

Das tamareiras e coqueiros mirrados por esse sol

Tropical, abrasador mas salutar, sem outro igual.

 

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Já lá vão 44 anos que deixei de ser aluno do doutor Antero de Barros no antigo Liceu Gil Eanes, mas o tempo nunca deliu a recordação que dele sempre guardei com saudade e apreço. De todos os meus mestres no ensino secundário, Antero de Barros foi aquele que mais impressivamente marcou o meu espírito juvenil, pelas suas qualidades pedagógicas, pela sua figura austera e imponente e pelo espírito de disciplina e de aplicação que inculcava em todos os seus alunos. Se alguns se permitiam alguma cabulice, balda ou brincadeira ocasionais em outras aulas, com Antero de Barros nem por hipótese tais derivas passariam pela cabeça. Ele não precisava de ser prolixo no discurso para se impor naturalmente perante qualquer classe de alunos. Bastava o exemplo do seu porte, digno e sóbrio, para induzir os seus alunos à devida compostura, seriedade e concentração nas aulas.   
 
Não era homem que exteriorizasse afabilidade ou cumplicidade fáceis nos seus gestos e atitudes, mas ostentava aos nossos olhos a auréola de uma figura paternal e confiável, impondo-nos de modo natural a intelecção da relação de compromisso entre a escola e o nosso futuro. Tinha um especial dom para farejar em alguns alunos momentâneos desvios de conduta exteriores à escola, próprios da idade juvenil, que punham em causa o seu normal rendimento escolar. Nestes casos, o aluno caía logo sob a sua alçada, “tomando-o de ponta” durante tempo indeterminado, mediante constantes chamadas ao mapa ou ao quadro para responder sobre a matéria do dia. O aluno não tardava a “pedir toalha” e a regressar à sua normalidade anterior. Na minha última visita a Cabo Verde vi um antigo companheiro de turma com quem se passou um desses episódios e o curioso é que logo me veio à mente a recordação do nosso mestre, tal a indelével influência que ele exerceu na nossa formação.

 

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