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© Manuel Roberto/Público

 

- Suzana Abreu, Lisboa *

 

Uma das coisas que a vida me tem ensinado é que as certezas têm uma vida muito curta.  

 

Manter crenças sem beliscadura é muito confortável, mas mudar radicalmente de opinião pode ser um privilégio e não um sinal de fraqueza de carácter.

 

Durante muitos e muitos anos, nutri pelo futebol uma indiferença comatosa. Era de todo incompreensível a graça que tinha ver 22 fulanos e 1 sicrano em calções abichanados a correr desalmados atrás de um “esférico” aos quadradinhos. Sempre que me juntava ao grupo de amigos para ver a “bola”, eu era seguramente a companhia mais enfadonha do mundo. Para ali ficava como uma múmia, sem mexer uma pestana, não fossem os malfadados bocejos que me acometiam de forma súbita… Ai, era cada um de repente que quase desencaixava os maxilares!  

 

Esta impassibilidade televisiva recordava-me sempre da minha avó Laurinda, senhora vitoriana de uma vontade indómita, fina que nem um coral, perita em achacamentos de escolha múltipla, também ela espectadora glacial e imperturbável.

 

A única diferença é que ela ficava com um brilhozinho quase imperceptível no olhar e ligeiramente arfante ao ver um desafio de boxe, um filme de cobóis e uma partida de futebol. Entredentes, articulava baixinho “toma que já levaste!”, (o que dava para o chumbo e para o knockout) e “eh lá, duas piruetas e já estás a comer relva…”. 

 

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Roberto Duarte Silva

Brito-Semedo, 27 Abr 13

 

Nasceu em Santo Antão, a 25 de Fevereiro de 1837.

 

Emigrou cedo, chegando a trabalhar na China e em Hong Kong, onde teve uma farmácia.

 

Formou-se em Ciências Fisico-Químicas em Paris, onde começou a sua vida profissional de químico trabalhando em vários laboratórios, o de WURTZ, por exemplo.

 

No decorrer de uma experiência, perde o olho esquerdo, na sequência de uma explosão. Ainda em França, é professor na École Municipale de Phisique e Chimie Industrialles, onde viria a ser chefe de laboratório de química analítica, da referida Escola.

 

Foi também professor na École Centrale dês Arts e Manufactures.

 

Foi presidente da Sociedade Química de Paris, laureado Comentador da Ordem de Santiago e distinguido com o prémio Joker, um dos mais ambicionados pelos cientistas. Como recompensa pelos serviços prestados à ciência, o governo de Paris concede-lhe a Legião de Honra, a mais alta distinção honorífica de França.

 

Faleceu a 9 de Fevereiro de 1889, em Paris.

 

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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