Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

'Finaçom', Batuque de Santiago

Brito-Semedo, 15 Mar 15

 

Sobrado.jpg

Cidade de São Filipe, Fogo. Foto Fausto do Rosário, Março 2015

 

 

FINAÇOM

 

Branco ta morâ na sobrado,

Mulato ta morâ na loja,

Nêgo ta mora na funco,

Sancho ta mora na rotcha.

 

Ta bem um dia,

Nhô Trasco Lambasco,

Rosto frangido,

Rabo comprido,

Ta corrê co nêgo di funco,

Nêgo ta corrê co mulato di loja,

Mulato co branco di sobrado,

Branco ta bá rotcha, el ta tomba…

 

(Batuques da Ilha de S. Tiago)

 

In Claridade, N.º 6, Julho de 1948

 

 

Branco mora no sobrado / mulato mora na loja / negro mora no funco (cabana) /Sancho (o macaco) mora na rocha. / Virá um dia / Nhô Trasco Lambasco (o macaco) rosto franzido / rabo comprido / correrá com o negro /do funco / o negro correrá com o mulato da loja / o mulato correrá com o branco do sobrado / o branco irá para a rocha, irá tombar (precipitar-se da rocha).

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"História Concisa de Cabo Verde"

Brito-Semedo, 13 Mar 15

 

HCV1.jpg

A História Concisa de Cabo Verde consiste no resumo dos três volumes da História Geral de Cabo Verde publicados respectivamente em 1991, 1995 e 2002. A elaboração da História Geral de Cabo Verde – iniciada 15 anos após a ascensão deste país à independência – foi um imperativo social, cultural e político de capital importância para a a percepção mais consciente do passado do Povo Cabo-verdiano, como para a vivência do presente e a planificação do futuro. O conjunto da História Geral (mais erudita) e da História Concisa (dirigida ao grande público) constitui, pois, uma obra ao serviço do Povo Cabo-verdiano.

 

O arquipélago chegou à História dos Homens, em 1460, e no seu primeiro século assistiu à chegada do globo terrestre que, em grandes parcelas vinha participar da História do Velho Mundo e vice-versa. Ali se cruzaram circuitos comerciais euro-africanos, passaram carreiras marítimas de longa distância e se articularam os dois impérios peninsulares que ligavam a África à América através do tráfico de escravos. É deste período que se ocupa a primeira parte da obra. Aqui se aprontou o primeiro cadinho de interacção de povos e culturas euro/africanos, na África ao sul do Saara. Aqui decorreram em antecipação precoce os fenómenos sociais e culturais, resultantes da colonização europeia na África. Aqui todos os actores eram estrangeiros, numa primeira geração, e demonstraram capacidades para, a um ritmo manifestamente acelerado, viverem, apropriarem, integrarem e reinterpretarem, o diverso que de várias partes ali confluía. Foi em Cabo Verde que pela primeira vez na era moderna se estabeleceu uma sociedade escravocrata, a dicotomia senhor/escravo; surgiu o primeiro centro urbano colonial nos trópicos, Ribeira Grande; nasceram e se impuseram os “filhos da terra”, mestiços. E finalmente foi aqui que desabrochou, do encontro de dois mundos, o europeu e o africano, uma nova sociedade, singular sob todos os pontos de vista, desde o físico ao cultural, atingindo mesmo o religioso: a sociedade crioula, primeiro e decisivo contributo para a construção do mundo atlântico. Digamos que a participação dos africanos na feitura do mundo atlântico que tem aqui o seu laboratório expedito para as sociedades crioulas que se vieram a desenvolver nas duas margens do oceano Atlântico.

- Maria Emília Madeira Santos, Coordenadora do Projecto

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • Anónimo

    Jovem kela e ilha do sal e não América...

  • Anónimo

    Não entendo o porquê do continente americano nos s...

  • Anónimo

    nao morreu 

subscrever feeds

Powered by