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António Luís Delgado, o maior proprietário rural de Santo Antão, conhecido como sendo o "benemérito proprietário", por ser extremamente generoso com as populações da região, deu sempre uma preciosa ajuda aos flagelados pela fome e varíola e evitou contágios da doença através da aplicação de preciosas medidas preventivas.

 

Constantemente visitado por muitas pessoas das redondezas que permaneciam nos anexos das suas casas, era também comum a visita de entidades oficiais e governadores.
 
Desenvolveu a Ilha de Santo Antão, construindo pontes e estradas com o consentimento do Governo Português, destacando-se o papel fulcral que desempenhou ao proporcionar o desenvolvimento do sistema hidraúlico e consequente distribuição de água, através da implusão de uma mina no norte desta ilha e a construção, durante 3 anos de intenso trabalho, de uma conduta de água com seis km, percorrendo trajectos de orografia complexa, o que obrigou a que fosse construído um túnel de dezenas de metros para vencer a gravidade. Uma verdadeira obra de engenharia hidráulica do séc. XIX que surpreende alguns técnicos que a estudam pelas soluções encontradas, dimensão e pela coragem de António Luís Delgado.

 

Ajudou muitas famílias, dando grande apoio em termos financeiros, por forma a suportar os estudos dos membros dessas famílias, o que também demonstrava a característica própria dos cabo-verdianos traduzida na grande preo¬cupação em não descurar a educação.

 

António Luís Delgado deu sempre grande ênfase à leitura de manuais/tratados únicos sobre ciência e esta dedicação permitiu que con¬seguisse curar vários leprosos. Quando alguém adoecia com lepra era isolado e apenas ele entrava no local onde se encontrava essa pessoa. Nas suas casas em Santo Antão tinha autênticas bibliotecas com livros raríssimos, mas toda a sua dedicação e empenho foram mal avaliados pela Igreja e, muitas vezes, foi apelidado de bruxo. Esses livros viriam a desaparecer, sendo dito que, antes de falecer, mandou queimá-los e enterrá-los.

 

Sempre muito interventivo e defensor acérrimo dos mais desfavorecidos, foi o Presidente da Comissão de Assistência, e para fazer face à crise de fome vivida no ano de 1921, desempenhou um papel fulcral acusando a administração do concelho do Paúl, com provas documentais, de contrariar a missão da referida Comis¬são em “acudir os desgraçados que sucumb(em)iam aos horrores da fome por falta de socorros”. Esta Comissão acusou a administração do Paúl de ter os armazéns dos Carvoeiros, actual Porto Novo, re-pletos de milho, não fornecendo aos próprios trabalhadores, com a agravante do Paúl ser, naquela data, o celeiro de toda a Ilha. Esta acusação foi enviada ao Governador, o qual deu total apoio à Co-missão de Assistência.

 

Devemos também relembrar que num despacho da Secretaria Geral do Governo, de 26.12.1903, com a “relação das medalhas e diplomas auferidos por expositores da província de Cabo Verde e enviados pela Inspecção Geral da Secção Portuguesa para serem distribuídos aos interessados” consta o nome de António Luís Delgado, produtor de aguardente, que recebeu na Exposição Universal de Paris, em 1900, uma menção honrosa e uma medalha de bronze, premiando a elevada qualidade deste produto.

 

António Luís Delgado, um Homem verdadeiramente empreendedor, meu trisavô, pai de Mariana Delgado Jardim e sogro de José Pereira Jardim.

 

- Sónia Jardim, Portugal

 

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3 comentários

De Anabela Delgado Leite a 18.10.2016 às 01:43

Por acaso o Antonio tambem tinha um filho pelo nome de Joao? Obrigado. 

De Sónia Jardim a 26.05.2017 às 13:27

Peço desculpa, mas só agora vi a sua questão. Um dos filhos do meu trisavô chamava-se João Silva Delgado. Espero ter ajudado.
Cumprimentos,
Sónia Jardim 

De Jailson Almeida Santos Lopes a 24.01.2019 às 16:27

Cordiais saudações.
Estive a ler o documentário e gostei imenso. Este Grande Homem, também era meu trisavô. Pai do meu bisavô, Imanuel Bento Silva Delgado que por sua vez era pai da minha avó, Isabel Bernarda Santos Delgado.
Tenho estado a procura de algum documento do meu bisavô, para efeito de nacionalidade. Não sei se ele era português genuíno mesmo, pelo que agradecia a sua confirmação acerca disso.
O motivo de tentar adquirir a nacionalidade portuguesa por via do meu bisavô, deve-se ao fato de no ano de 2017, tinha que deslocar à Portugal onde apresentar-me-ia a minha dissertação para obtenção do grau de mestre em Estatística, Matemática e Computação - Especialidade em Estatística Computacional. 
Requerer o visto para o efeito, foi uma tremenda humilhação. Numa primeira tentativa foi-me recusado. Na segunda tentativa, foi necessário uma declaração da Universidade onde eu ia apresentar a minha dissertação, que confirmasse tal missão. 
Cumprimentos,
Jailson Lopes (djailopes@hotmail.com).    

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