Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

 

Chuva Braba.jpg

Em 2011, o Ministério da Cultura criou uma central única de edições, a Editura, retirando à Biblioteca Nacional a política do livro e a função de editora do Estado, que vinha assumindo, na linha do Instituto Caboverdiano do Livro [1976-1998].

 

A nova editora, durante o mandato desse Governo [2011-2016] não editou um único título, nem mesmo o Grande Prémio da Cidade Velha 2010, "Políticas de Comunicação e Liberdade de Imprensa", do investigador Silvino Évora. O livro só viria a ser editado em 2018, já pelo novo Ministério da Cultura do Governo do MpD.

 

Em 2017 o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas anunciou que o livro tinha voltado a estar na política cultural de Cabo Verde, com a Biblioteca Nacional a reeditar as obras de Eugénio Tavares para assinalar os 150 anos do nascimento desse autor, iniciando, assim, a edição d’ “Os Clássicos”.

 

Nessa linha, em Abril de 2018 viria a ser reeditado o romance Chiquinho de Baltasar Lopes, para assinalar o Dia do Professor Cabo-verdiano, de que esse autor é patrono, e, em Dezembro de 2018, Chuva Braba de Manuel Lopes, para assinalar os 111 anos do nascimento desse escritor, enquanto livros de leitura obrigatória no nosso sistema de ensino e há muito esgotados, em edições de 500 exemplares cada.

 

É de se louvar todas essas iniciativas de reedição, que me merecem algumas breves considerações:

 

1. A política editorial do Ministério da Cultura/Biblioteca Nacional

 

Numa altura em que a Livraria Pedro Cardoso, criada em 2014, vem fazendo a recuperação de autores já caídos no esquecimento reeditando obras há muito esgotadas, nomeadamente, O Escravo de Evaristo d’ Almeida (2016), o jornal “O Manduco” de Pedro Cardoso (2016), Contos e Bosquejos de Guilherme Dantas (2016) e Jaime – Dramaturgo, Pintor e Ensaísta de Jaime de Figueiredo (2017); a Academia Cabo-verdiana de Letras, criada em 2013, iniciou a reedição dos clássicos da literatura cabo-verdiana com Jardim das Hespérides de José Lopes (2016), e Contra Mar e Vento de Teixeira de Sousa (2017); e o Expresso das Ilhas (2016), para assinalar o 80.º aniversário da Claridade, revista de arte e letras distribuiu com o jornal 1.200 exemplares do Chiquinho (edição fac-similada) pelo preço de 500$00; o Ministério da Cultura/Biblioteca Nacional coloca no mercado em 2018 uma nova edição do Chiquinho, dirigida aos estudantes, por 1.000$00 (posteriormente rebaixado para 500$00). De referir, contudo, que esta edição traz vários erros, nomeadamente, deturpação de palavras e gralhas de digitação.

 

Por outro lado, sendo a primeira vez que qualquer uma das obras do escritor Manuel Lopes é editada em Cabo Verde – Chuva Braba (romance, 1956), Galo Cantou na Baía (contos, 1959), Flagelados do Vento Leste (romance, 1960) e Falucho Ancorado (antologia poética, 1997) – de leitura obrigatória no sistema de ensino, espera-se que a obra completa venha a ser publicada proximamente. De notar que a obra Chuva Braba, acabada de ser reeditada, foi posta à venda por 1.000$00.

 

Em Abril de 2018 a curadora da Biblioteca Nacional garantia à Inforpress a retoma da edição de livros e anunciava que a instituição pretendia editar seis livros nesse ano.

 

“O projecto mínimo é de quatro obras por ano para uma colecção que já está aprovada como os ‘clássicos’ e ao mesmo tempo estamos em dívida para com a sociedade relativamente aos prémios e revelações mais actuais”, disse.

 

Nesse propósito, salientou que a Biblioteca Nacional, para a Colecção Clássicos, ia lançar Chiquinho de Baltasar Lopes e Mornas Eram as Noites de Dina Salústio, duas obras que fazem parte do Plano de Leitura Escolar, bem assim Contra Mar e Vento de Teixeira de Sousa e Famintos de Luís Romano.

 

O ano terminou com a Biblioteca Nacional sem a Curadora e com as promessas por cumprir.

 

2. Os direitos dos autores

 

A lei cabo-verdiana salvaguarda os direitos de autor por um período de setenta anos. Não sendo esses os casos, já que Baltasar Lopes faleceu em 1989 e Manuel Lopes em 2005, espera-se que os responsáveis do Ministério da Cultura e da Biblioteca Nacional respeitem os direitos dos autores. É que no caso do Chiquinho, a viúva de Baltasar Lopes diz não ter sido contactada nem pedida a sua autorização.

 

Aguardemos o novo ano de 2019.

 

– Manuel Brito-Semedo

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Layout Porto Memória.jpg

 

cidademindelo finais seculo XIX CABO VERDE.jpg

 

 

Escrevo-o para esta juventude estudiosa que precisa conhecer os assuntos de sua terra, que mais lhe interessa saber.

 

 

“À memória dos Caboverdianos marítimos, aqueles que,

ao Serviço das Nações Unidas, ao serviço da liberdade,

corajosamente, perderam a vida durante a

2.ª Grande Guerra Mundial.

 

Como testemunho de profunda saudade.”

 

– Frank Xavier da Cruz (B. Léza), 1950

 

O escritor Manuel Lopes explica que Mindelo “veio ao mundo sobre as quilhas da navegação internacional, nasceu, por assim dizer, cosmopolita, porque nasceu parasita do porto, e até hoje [1959] sempre dependeu dele”.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • Anónimo

    Jovem kela e ilha do sal e não América...

  • Anónimo

    Não entendo o porquê do continente americano nos s...

  • Anónimo

    nao morreu 

Powered by