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A Esquina do Tempo, por ter sido quem, em Cabo Verde, anunciou e recomendou a leitura deste romance, abre o seu espaço para o debate e o contraditório. História verídica ou ficção?! Fátima Fernandes Ramos Lopes interpela e insurge-se contra o autor de O Legado de Nhô Filili numa carta aberta.

 

 Sr. Urgais,

 

Li o seu livro “O Legado de Nhô Filili” motivada pela publicidade sobre o mesmo nos media.

 

No início julguei que se tratava de uma história verídica que aconteceu em Cabo Verde, no século dezanove. Depois ao ver o nome do meu bisavô fiquei curiosa para ler o livro.

 

A história inicia-se com algum romantismo da época para se  esenvolver num quadro de um Cabo Verde ficcionado tendo como pano de fundo membros da minha família, nomeadamente os meus bisavós, com passagens alusivas à vida do meu avô. Apesar da forma como narra os factos, reconheço muitas imprecisões históricas e temporais no desenrolar da acção, visto que se trata de uma história envolvendo pessoas que existiram e desenrolando-se nos locais das suas vivências. Para além disso, sendo bisneta de João de Abreu Rodrigues Fernandes e da esposa, fiquei chocada com a forma como tratou no seu livro algumas pessoas da família, como por exemplo Armando Napoleão e Leonilde (Ticha) que foram apresentados, na história, como vilões, o que não corresponde à verdade mas, tão somente, julgo, ciúmes e inveja de quem lhe terá narrado de forma tão tortuosa e maldosa, factos da vida real da família. Especialmente a pessoa de Armando Napoleão que é maltratada, vilipendiada, e a quem inclusivamente atribui, a propósito de publicação do dicionário, intenções pouco claras, quando este processo foi transparente, tendo acontecido postumamente e sem nenhum incidente.

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Filho de minhotos, João Bento Rodrigues – que ficaria conhecido por Filili – nasceu na ilha do Fogo no ano da abolição da escravatura. O decreto não bastou, porém, para que se extinguisse o tráfico, até porque os negreiros tinham a cumplicidade das autoridades; e foi assim que Maguika, capturada nas matas da Guiné, se tornou propriedade de Nhô Filili, trazida por um negociante desejoso de, com presentes, o conquistar para genro.

 

Tendo por cenário o arquipélago de Cabo Verde entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, O Legado de Nhô Filili é o retrato de uma África bela e sedutora, mas também dura e miserável, e bem assim uma metáfora da história da mestiçagem biológica e cultural e da génese dos movimentos pela independência das Colónias.

 

Nas Livrarias de Lisboa a 18 de Junho

 

 

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