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Volume 2 – Morna Música Cosmopolita (I)_.JPG

Por ocasião da inscrição da Morna na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade", entrevistamos Manuel Brito-Semedo, sobre este género musical, tão identitário de Cabo Verde. Uma entrevista rápida, o tempo de tomar um café, o antropólogo explica como a Morna acompanhou toda a história de Cabo Verde e deste povo resiliente e festivo: um povo de música.

 

Como encara esta consagração da morna, como Património da Humanidade?

Com muito orgulho! Ver a Morna, expressão máxima da identidade desta nação crioula, a ser reconhecida pelo Mundo mexe, e de que maneira, com qualquer cabo-verdiano. Só me apetece cantar:

 

Ami ê feliz cum dá nêss tchôm,

Ondê q’ riqueza e força d’ mon

Ami ê feliz cum dá nêss tchôm,

Ondê que tude hôme, divia ser irmon

 

De que forma a morna moldou a alma cabo-verdiana, ou vice-versa?

Eu diria que a Morna, das suas origens – nos finais do século XVIII –aos nossos dias, acompanha e regista toda a história social, económica e cultural das ilhas.

É de se admirar que um povo que tanto sofreu ao longo da sua história – escravatura, seca, fomes e outras calamidades – não tenha desenvolvido um espírito de fatalismo. Mas, resiliente, consegue ser alegre, festivo e um povo de música, ou talvez por isso mesmo. Paradoxal.

 

CV é local de passagem, mas também epicentro de uma forte diáspora que se espalha por vários pontos do mundo. Como a morna se relaciona com o mundo?

A Morna nasceu local e, ao mesmo tempo, cosmopolita. Com o boom da emigração dos anos sessenta a música de Cabo Verde foi levada das ilhas para os países da emigração, mas é nos anos oitenta que, com o fenómeno da globalização e o sucesso da Cesária Évora, que a nossa música, e em particular a Morna, se torna conhecida do Mundo.

 

Há várias gerações de morna. Quais destacaria e no que diferem?

Sim, diria: a geração de Eugénio Tavares (Brava), a geração de B.Léza e Luís Rendall (São Vicente), a geração de Manuel de Novas (Mindelo) e Anu Novu (Praia), a geração de Antero Simas (Praia), Nhelas Spencer (Sal) e Betú (Maio) que, pela época e seu contexto social, tem sofrido alterações na sua temática. Sobre o aspecto melódico, não tenho competência técnica para me pronunciar, mas percebo que também tem havido mudança e abertura ao mundo.

 

Manuel Brito-Semedo, antropólogo, é o autor da colecção de “Morna: Música Rainha de Nôs Terra”, que será distribuída em breve com o Expresso das ilhas e jornal Público (Portugal).

https://expressodasilhas.cv/cultura/2019/11/08/a-morna-nasceu-local-e-ao-mesmo-tempo-cosmopolita/66545

 

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