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"Djunga" conta a história de Sãocente

Brito-Semedo, 15 Ago 19

 

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Pelo Centenário do Médico e Escritor Teixeira de Sousa

 

 

Djunga (1990) é um marco na novelística de Teixeira de Sousa ocupando um lugar à parte. Para além de ser um romance essencialmente psicológico, baseado numa figura pública mindelense, tem o mérito de ser um romance social e histórico que reconstrói figuras e acontecimentos da ilha de São Vicente.

 

O Tempo e o Espaço no Djunga

 

O tempo da acção prolonga-se desde os inícios da segunda Guerra Mundial até depois da independência de Cabo Verde, num período de mais de quarenta anos.

 

O tempo da narrativa situa-se num tempo presente (finais dos anos 80, provavelmente), com muita dessincronia, ou seja, com inserção de factos e acontecimentos históricos que teriam tido lugar nos anos 60, como se do tempo presente se tratasse. O recuo ao passado de Djunga é feito numa longa anacronia temporal. Primeiro, através das memórias do escrivão-escritor pelo convívio de mais de 40 anos com Djunga. Depois, pelas memórias gravadas pelo próprio Djunga. Tudo isso alternando-se com os acontecimentos narrados na linearidade cronológica.

 

O espaço físico da narrativa situa-se essencialmente na ilha de São Vicente, com uma incursão à ilha de São Nicolau, e em Lisboa, a velha Metrópole, aonde Djunga foi para receber preparação como ourives e relojoeiro.

 

O espaço social é o cubículo de Djunga (“Tebaida”), o lugar de encontros e de jogos de cartas. Foi nesse escritório que se arquitectou o projecto de construção social e de melhoria do bairro de Fernando Pau, que viria a ser inaugurado como Bloco Solidariedade.

 

O espaço psicológico, vincado ao logo de todo o romance, é a orfandade de Djunga.

 

Temas periféricos do Djunga

 

Neste romance são tratados outros temas, diríamos, periféricos, como a presença dos ingleses na ilha, a chegada dos militares expedicionários portugueses, reflexões filológicas, críticas à ordem vigente e solidariedade humana.

 

A presença dos ingleses na ilha e a imitação dos seus comportamentos pelos mindelense, sobretudo pelos empregados da Western Telegraph Company, que copiavam os hábitos sociais, as práticas culturais e desportivas e o código linguístico incorporando expressões e termos no crioulo corrente, é um tema que vem de trás, do Capitão de Mar e Terra (1984), e que no Djunga é reforçado.

 

Manuel Brito-Semedo

 

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