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 Foto Rosa de Porcelana Editora

 

 

Quando criança, e jogávamos à bola, era tudo muito básico e as regras simples e práticas.

 

A começar, a bola era feita de bexiga de tchuque (porco) ou de meia enchida com trapos. Só muito depois é que chegaram as bolas de borracha e, posteriormente, as de cauchut (couro), mas essas já não são do meu tempo, mas do tempo dos meus filhos, se bem que nunca lhes tenha oferecido uma bola e já, já, poderão deduzir o porquê disso.

 

A constituição das equipas de futebol era de escolha baseada na habilidade ou no mérito de cada um. Dois adversários, normalmente os mais velhos, escolhiam os seus elementos na base de ora sou eu, ora és tu, dos melhores para os mais lofas, os menos bons, assim sucessivamente, até terminar, formando “DÔS” equipas. Eu, coitado, que era dos piores, ficava sempre para o fim, ou sobrava quando os “jogadores” disponíveis eram em número ímpar.

 

As regras, essas, eram as mais elementares e de acordo tácito. Eram “cinco trocada, dez acabada”, ou seja, quando uma equipa metia cinco golos trocava de baliza e de campo. O jogo incluía rasteiras, ponta pés na canela e fazer rabiquice, malandrice. O jogo acabava quando uma das equipas metia dez golos. Prático, né?!

 

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JOÃO BRANCO E OS SEUS “DÔS”

 

 

Os jogadores escolhidos por João Branco – personalidades do mundo cultural cabo-verdiano das ilhas e na diáspora – à partida, todos tão bons, mas tão bons, que o seleccionador deve ter-se visto grego e troiano, que é como quem diz, sem saber como escolher. JB não vai de modas, convoca trinta e três personalidades entre arquitectos, artistas plásticos, coreógrafos, dramaturgos, escritores, fotógrafos, intérpretes, músicos, produtores, poetas, realizadores, número esse que dá para constituir três selecções de top, ou melhor, uma mega Selecção dos Tubarões Azuis das Artes.

 

Mas da mesma forma que o selecionar não pode ser ao mesmo tempo árbitro e jogador, apitar e jogar, JB ficou de fora.

 

Este livro “DÔS”, Diálogos sobre a Arte e a Vida é o resultado de um conjunto de entrevistas realizadas por JB entre 2010 e 2011 a personalidades do mundo cultural cabo-verdiano e publicadas no jornal “A Nação”. Os textos são curtos, entre 5 e 6 páginas, de uma leitura fácil porque uma conversa muito agradável e rica.

 

A Professora Simone Caputo da Universidade de São Paulo faz em diferido um “A Dôs com João Branco”, um prefácio em que organiza os entrevistados, não pela ordem alfabética como está no livro, mas agrupando-os em áreas de actividade – escrita, música, artes visuais, teatro, coreografia, cantores, cinematografia e arquitectura.

 

Cumpridos os 90 minutos regulamentares (das entrevistas), paro o jogo! Vamos ao prolongamento.

 

Proponho ao João Branco uma “trocada”, uma mudança de campo e de baliza e fazer um “DÔS” em directo, em que sou eu a fazer a entrevista ao actor, encenador, investigador de teatro, professor e programador – ficando por aqui para não ultrapassar o número cinco que é o de uma equipa de futsal – de modo a ele ser incluído nesse plantel top de gama dos Tubarões Azuis das Artes.

 

Vamos a ela, JB? Podem começar a contar os golos porque agora é que vou apanhar uma cabazada.

 

– Manuel Brito-Semedo

 

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