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Hoje, dia 9 de Março de 2018, completam-se 70 anos sobre a data em que, a pacatez da ilha do Sal, foi sacudida pela notícia do encalhe de um barco Dinamarquês, na costa Leste de Santa Maria. Tendo o acidente ocorrido durante a noite, a notícia correu célere logo de manhãzinha, pois o barco era visível da vila, despertando grande ansiedade na população que, por experiência, sabia que o encalhe de um barco era quase sempre sinónimo de móia, de fartura de produtos saídos na praia. 


De mais a mais, em 1948, ano do referido encalhe, a Ilha do Sal, à semelhança de todo Cabo Verde, enfrentava uma terrível crise, devido à seca e à falta de movimento nas salinas, obrigando grande parte da população a viver numa situação extremamente difícil.


Se as expectativas da população, geradas pela notícia do naufrágio, foram grandes, os benefícios que ela retirou do mesmo não foram menores. Damfjord correspondeu à expectativa de móia alimentada pela população, jorrando na praia diferentes tipos de produtos, quais sejam café, cacau, chocolate, óleo, etc., o que contribuiu para o alívio do sofrimento do povo do Sal.

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O encalhe de Damfjord foi um evento de maior relevância para a Ilha do Sal, passando a constituir parte da memória colectiva das suas gentes, transmitida através de gerações. Infelizmente, regista-se uma tendência para o mesmo cair no esquecimento, o que, a concretizar-se, empobrecerá o património colectivo da ilha.


Por isso, é de maior importância que as forças vivas locais (associações, liceus, grupos desportivos náuticos, rádios, grupos de teatro, cidadãos individuais, etc.), bem assim as autoridades municipais, tendo à cabeça a Câmara Municipal, assumam o encalhe do Damfjord como um evento que, pelo impacto positivo que teve na sociedade salense, merece ser resgatado, assinalado e transmitido às gerações mais novas. Não será por acaso que um octogenário que vivenciou o evento diz: “Damfjord é que levantou a Ilha do Sal”.

 

Lisboa, 9 de Março de 2018

 

- Basílio Mosso Ramos

 

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