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À memória do Cirurgião-mor do Exército falecido por ocasião do aparecimento da cólera-mórbus em 1856

 

 

 

No dia 23 de Agosto de 1856, começou em São Vicente a epidemia da cólera-mórbus, importada de um vapor procedente da Madeira trazendo a bordo doentes dessa moléstia. Faleceram 645 indivíduos, até ao dia 20 de Setembro, estando nesse número o delegado de saúde, o cirurgião-mor do exército Henrique Guibara, que morreu a 31 de Agosto, ficando a ilha sem um dos principais responsáveis pela gestão da crise sanitária.

 

De recordar que, na altura em que a ilha foi assolada pela doença, São Vicente contava com cerca de 1.400 habitantes.

 

Conforme Henrique de Santa-Rita Vieira, no seu livro História da Medicina em Cabo Verde (1999), como testemunho de gratidão da ilha de São Vicente, foi construído um mausoléu em sua homenagem, em 1856 (hoje desaparecido, aliás, como o cemitério, que ficava situado na Chã de Cemitério).

 

O Tenente-Médico Henrique Guibara é ainda hoje nome de Rua em Mindelo, a mesma que é conhecida por Rua de Murguin (lateral aos escritórios da ENACOL) na zona da Craca.

 

Tenente-Médico Henrique Leopoldo Lopes GUIBARA

 

Nascido em Gibraltar, Inglaterra, por volta de 1826 – falecido em São Vicente a 31 de Agosto de 1856. Cirurgião-mor do Exército.

 

Henrique Leopoldo Lopes Guibara poderá pertencer à leva de judeus que vieram para Cabo Verde no século XIX, provenientes do enclave inglês e de Marrocos.

 

Um Decreto datado de 10 de Junho de 1851 nomeou o cirurgião civil Henrique Leopoldo Lopes Guibara para o serviço do Exército, passando a ser "cirurgião ajudante", colocado no Batalhão de Caçadores n. º1.

 

Um novo Decreto de 31 de Agosto de 1854 determinou que o Dr. Henrique Guibara passasse a servir na ilha de São Vicente, por tempo de 6 anos e, para o efeito, foi promovido a "cirurgião mor" do exército. Em Março de 1855, foi nomeado Delegado de Saúde dessa ilha.

 

De recordar Doutor Guibara, o Médico-Mártir da cólera-mórbus de 1856, e homenagear em tempo de Convid-19, os actuais profissionais da Saúde.

 

– Manuel Brito-Semedo

 

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