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Morna: Música Rainha de Nôs Terra

Brito-Semedo, 5 Nov 19

 

Volume 5 – Nova Morna .jpg

Se bô ka crê uvi morna

Musica rainha di nos terra

Ranca bo bai bo tcham li

Ness Cabo Verde suave e doce

Nos terra mãe

 

Inspiração di nos poeta

Princesa d'nos serenata

Na note serena di luar

Di baixe d'janela d'um cretcheu

Na tchoradinha d'um violão

 

Cabo Verde sem morna

Pa mi el é terra

Sem sol sem calor

Noiva sem grinalda

Vitoria sem gloria

Dum povo criston

 

– Manuel de Novas, “Nôs Morna”

 

 

1. O Expresso das Ilhas, por ocasião da Candidatura da Morna a Património Cultural da Humanidade, vai distribuir com o jornal, durante os meses de Novembro e Dezembro, uma colecção Morna: Música Rainha de Nôs Terra (5 livros + CD), que é o resultado de uma parceria com a Editora a Bela e o Monstro e o Jornal Público, de Portugal.

 

Os textos são da autoria do Antropólogo e Professor Universitário Manuel Brito-Semedo e propõem fazer o percurso histórico da Morna seguindo uma linha cronológica desembocando na actualidade como forma de obter um produto (texto, imagem e som) que dê conta da história desse género musical, que em muito se confunde com a história e o percurso do povo que o criou.

 

2. Não haverá um outro país no mundo com uma densidade musical, ou seja, número de músicos por habitante, tão grande como Cabo Verde. A verdade é que na alma de cada cabo-verdiano há um artista. É de se admirar que um povo que tanto sofreu ao longo da sua história – escravatura, seca, fomes e outras calamidades – não tenha desenvolvido um espírito de fatalismo. Mas, resiliente, consegue ser alegre, festivo e um povo de música, ou talvez por isso mesmo. Paradoxal.

 

Mário Fonseca (Praia, 1939 – 2009) no seu trabalho poético “Près de la mer, Mon pays est une musique et Poissons” (1986) sintectizou isso mesmo. Sim, o meu país é uma música! A lista de compositores, intérpretes, instrumentistas e conjuntos musicais intemporais provenientes das diferentes ilhas, são uma amostra disso.

 

3. Nesta retrospectiva histórico-musical, procurar-se-á demonstrar que Cabo Verde é uma “Ilha d’ melodia”, mas que quer ser grande no mundo lá fora com a sua música – Pa mostrás ki nos é pobri, nos cultura é forte – conforme expressou Kiddye Bonz [Dereik Hernany Gomes Neves] (Mindelo, 1990 –), um compositor e rapper da novíssima geração:

 

Ah! Desd piquinim n ta s'nha na algo pa fazi Cabo Verde grande

Pa viaja mund sem n tem ki ser um emigrante

Alg ki canta moda alma na voz de Cesária

 

...................................

 

Ah! N cré leva mund mensagem nha povu

Ser Hernani Almeida, instrui mais novu

Pa oiá nos musica ta voá e ta levas

Moda Borboleta de Sara Tavares

 

Cré corda kes criol é ki ta fora de nos país

Pa quando es dzê ki nha voz é roku

Podê dzê ki mi é Tito Paris

N cré ser Boss AC pa tud gent conxem

Fazes gostá de nha estilo moda Dino d' Santiago fazem

N cré ser Expavi pes inspira na mi

 

Es dzê céu é limit, txam mi é Ceuzany

Mostras o kel ki Mindel mandaz de encomenda

Ser lenda la fora, Cesaria Évora

Mostras nos musica e bnit moda Mayra e Lura

Dxa sodade moda kel voz na refron de pele skura

N’ kre ser conxido moda es artista des dez ilha

Moda nha familia, Diego e Voginha

 

Quand solidon batê

Quand lagrima moib cara

Dxa es morabeza tocob

E leva Cabo Verde la fora

 

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