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Os Seiscentistas

Brito-Semedo, 15 Nov 18

 

Porto Memória.jpeg

 

 

Com o Falucho ancorado na baía baloiçando, baloiçando…, o marinheiro-cronista desembarca no "Porto Memória".

 

Esta é uma nova coluna quando surge a consciência nacional de que é preciso promover o livro e estimular e criar o gosto pela leitura, com projectos de dinamização de Bibliotecas Escolares, criação de uma Rede de Bibliotecas Municipais e elaboração de Planos Municipais de Leitura e Plano Nacional de Leitura.

 

“Porto Memória” vai ser um espaço onde se irá evocar figuras das letras cabo-verdianas, apresentar e sugerir livros e lançar pistas de leitura.

 

Depois do navegar é preciso, recordar é preciso ler é preciso!

 

 

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Comecemos por puxar o fio da memória, num retorno aos séculos XVI-XVII trazendo à luz dois escritores seiscentistas e a sua produção literária.

 

Comecemos, pois, por recordar Andre Alvares d’Almada (1555 – 1650), homem ilustrado, natural de Santiago, provavelmente o primeiro homem de cor a ser armado cavaleiro. Eleito em 1594 para impetrar de D. Filipe I uma audiência e convencê-lo da utilidade de se povoar a Serra Leoa. Publicou Tratado Breve dos Reinos de Guiné do Cabo Verde, 1594 (Porto, Typographia commercial portuense, 1841) – a primeira obra de autor cabo-verdiano a ser impressa.

 

Outro escritor a recordar é Andre Donelha, de quem pouco se sabe, mas presume-se que tenha nascido na ilha de Santiago, entre 1550 e 1560, onde estudou. Escreveu a obra Descrição da Serra Leoa e dos rios da Guiné do Cabo Verde, 1625 (Junta Investigação Científica do Ultramar, Lisboa, 1977).

 

Não esquecer que nos séculos XVI-XVII, o arquipélago, enquanto base comercial, encontrava-se económica e religiosamente associado à costa africana, sendo no âmbito desta interdependência que surgem o Tratado de Almada (1594) e a Descrição de Donelha (1625).

 

Tratado Breve dos Reinos de Guiné do Cabo Verde, 1594 – Livro publicado em 1841, só viria a ser reeditado em 1946, sendo a última edição de 1964.

 

Descrição da Serra Leoa e dos rios da Guiné do Cabo Verde, 1625 – Livro publicado pela primeira vez em 1977, em edição bilingue (francês e português), com introdução, notas e apêndices por Avelino Teixeira da Mota.

 

Obras raras, há muito esgotadas, não havendo nenhum exemplar nos arquivos nacionais[1].

 

Foi necessário esperar por meados do século XIX para ver surgir obras mais precisas sobre as ilhas como a de José Carlos Conrado Chelmicki e de F. A. Varnhagen, em 1841 (Corografia Cabo-verdiana ou Descripção Geographico-Historica da Província das Ilhas de Cabo-Verde e Guiné), a de José Joaquim Lopes de Lima, em 1844 (Ensaios sobre a Statistica das Possessões Portuguesas no Ultramar) ou a de Francisco Travassos Valdez, em 1864 (África Occidental: noticias e considerações), que antecederam a primeira grande síntese sobre a totalidade da história de Cabo Verde, Subsídios para a Historia de Cabo Verde e Guiné, 1899/1913, de Christiano José de Senna Barcellos.

 

____________

[1] Contrariando uma tradição que vinha de 1871, com a criação da Biblioteca e Museu Nacionais, na Praia – a única então em toda a África portuguesa – e da Biblioteca Municipal na ilha de São Vicente, em 1882, as bibliotecas públicas foram fechadas em 1974, só voltando a haver nos anos de 1990: em 1996 a Biblioteca Municipal de São Vicente e em 1999, a Biblioteca Nacional na Praia. De referir, contudo, que a partir de 1988 o Arquivo Histórico Nacional vem desenvolvendo um notável trabalho na inventariação e transferência do acervo existente em todo o território nacional.

 

– Manuel Brito-Semedo

 

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