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 Professor Alberto Carvalho, Arnado França e Fátima Bettencourt, 2011

 

 

Duas iniciativas no âmbito do Dia Nacional da Cultura homenageiam o poeta, escritor e ensaísta Arnaldo França (Praia, 1925 – 2015): a inauguração da “Arnaldo França Livraria”, na Praia, no dia 16, e a entrega do Prémio Literário Arnaldo França, enquadrada no Morabeza – Festa do Livro, a ser aberto em Mindelo, no dia 19.

 

Na Praia, a homenagem consistiu na edição fac-similada da brochura Notas sobre poesia e ficção cabo-verdianas, de autoria de Arnaldo França, um estudo inicialmente publicado em “Cabo Verde – Boletim Documental e de Cultura”, em 1962, e testemunhos de Ana Freire, uma ex-aluna de Arnaldo França no Instituto Superior de Educação, e Sara França Silva, neta do homenageado. Coube-me a mim fazer o tributo literário a Arnaldo França.

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Dr. Arnaldo França Faleceu Há 1 Ano

Brito-Semedo, 18 Ago 16

  

Arnaldo França.jpg

 

Arnaldo Carlos Vasconcelos França

 

Praia, 15.Dezembro.1925 – 18.Agosto.2015

 

 

O Esquina do Tempo teve acesso às cópias dos textos disponibilidades pelo Dr. Arnaldo França à Doutora Amália Melo Lopes por ocasião da Semana da Língua Materna 2012  na Uni-CV (uma delas tem assinatura, tornando-se, por isso, uma preciosidade), que os digitalizou, sendo validados por ele. Alguns destes textos terão sido publicados no jornal A Semana.

 

Um bem-haja e um agradecimento especial à Professora Amália Melo Lopes pela cedência deste material.

 

 

ABANDONO OU FADO PENICHE

 

David Mourão-Ferreira

 

 

«Por teu livre pensamento

Foram-te longe encerrar.

Tão longe que o meu lamento

Não te consegue alcançar.

E apenas ouves o vento.

E apenas ouves o mar.

 

«Levaram-te, era já noite:

a treva tudo cobria.

Foi de noite, numa noite

de todas a mais sombria.

Foi de noite, foi de noite,

e nunca mais se fez dia.

 

«Ai dessa noite o veneno

Persiste em me envenenar.

Ouço apenas o silêncio

que ficou em teu lugar.

Ao menos ouves o vento!

Ao menos ouves o mar!»

MORNA TARRAFAL

 

Versão crioula de FADO PENICHE, de David Mourão-Ferreira

 

Mó bu cabeça ê sim dono

És fitchabo longi bu casa.

Nim nha tchóro, nim nha grito

Ca ta tchiga djunto bó.

É só mar qui bu ta ôbi.

Bu ca t´ôbi más qui bento.

 

És lebabo nôti fitchado,

Nôti sucuro di treba.

Era nôti cima agôro,

Nôti nim ano di fome.

Era nôti, era nôti,

Ti hoji inda ca manchê.

 

Veneno qu´ês da-m´quêl nôti

Ti góci ê´sta-m´ na sangui.

Na casa, na bu lugar

Só basio fica co mi.

Bó ao menos bu tem bento.

Bó ao menos bu tem mar.

  

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