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1. A modéstia do escritor e jornalista Nuno Rebocho levou-o a justificar, logo nas primeiras páginas do livro, porque se abalançou na abordagem de assuntos e temas que são “naturalmente” reservados aos investigadores da área da História e da Antropologia. Na verdade, as coisas não são bem assim, e ainda bem, porque se se puser de lado as dissertações e teses, elaboradas para obtenção de graus académicos, praticamente não há produção de conhecimento sobre a História ou qualquer outra área das Ciências Sociais. E se a investigação é feita, fica restrita aos meios e às publicações universitárias, praticamente inexistentes, e, portanto, sem chegar ao conhecimento do grande público.

 

Apesar de haver em Cabo Verde dez instituições de Ensino Superior, entre universidades e institutos, continua-se a contar pelos dedos das mãos as pessoas que se dedicam de forma sistemática à investigação e à publicação. Aliás, só se compreende o desmantelamento da equipa de elaboração da “História Geral de Cabo Verde” e a sua absorção pela máquina burocrática do Estado, depois de um forte investimento e de aquisição de um significativo know-how, por uma falta grave de estratégia e de política.

 

Num país como o nosso, com uma história extensa e riquíssima, causa estranheza esta pobreza franciscana na área da investigação e das publicações, daí saudar veementemente o aparecimento deste livro e com esta qualidade.

 

 

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"História Concisa de Cabo Verde"

Brito-Semedo, 13 Mar 15

 

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A História Concisa de Cabo Verde consiste no resumo dos três volumes da História Geral de Cabo Verde publicados respectivamente em 1991, 1995 e 2002. A elaboração da História Geral de Cabo Verde – iniciada 15 anos após a ascensão deste país à independência – foi um imperativo social, cultural e político de capital importância para a a percepção mais consciente do passado do Povo Cabo-verdiano, como para a vivência do presente e a planificação do futuro. O conjunto da História Geral (mais erudita) e da História Concisa (dirigida ao grande público) constitui, pois, uma obra ao serviço do Povo Cabo-verdiano.

 

O arquipélago chegou à História dos Homens, em 1460, e no seu primeiro século assistiu à chegada do globo terrestre que, em grandes parcelas vinha participar da História do Velho Mundo e vice-versa. Ali se cruzaram circuitos comerciais euro-africanos, passaram carreiras marítimas de longa distância e se articularam os dois impérios peninsulares que ligavam a África à América através do tráfico de escravos. É deste período que se ocupa a primeira parte da obra. Aqui se aprontou o primeiro cadinho de interacção de povos e culturas euro/africanos, na África ao sul do Saara. Aqui decorreram em antecipação precoce os fenómenos sociais e culturais, resultantes da colonização europeia na África. Aqui todos os actores eram estrangeiros, numa primeira geração, e demonstraram capacidades para, a um ritmo manifestamente acelerado, viverem, apropriarem, integrarem e reinterpretarem, o diverso que de várias partes ali confluía. Foi em Cabo Verde que pela primeira vez na era moderna se estabeleceu uma sociedade escravocrata, a dicotomia senhor/escravo; surgiu o primeiro centro urbano colonial nos trópicos, Ribeira Grande; nasceram e se impuseram os “filhos da terra”, mestiços. E finalmente foi aqui que desabrochou, do encontro de dois mundos, o europeu e o africano, uma nova sociedade, singular sob todos os pontos de vista, desde o físico ao cultural, atingindo mesmo o religioso: a sociedade crioula, primeiro e decisivo contributo para a construção do mundo atlântico. Digamos que a participação dos africanos na feitura do mundo atlântico que tem aqui o seu laboratório expedito para as sociedades crioulas que se vieram a desenvolver nas duas margens do oceano Atlântico.

- Maria Emília Madeira Santos, Coordenadora do Projecto

 

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