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Falucho no Feminino

Brito-Semedo, 31 Mai 18

 

Senhor das Ilhas.jpg

Em memória do Armador Manuel António Martins, o Senhor das Ilhas

 

 

“As mulheres não casam com os homens, casam com os sonhos dos homens (…). As mulheres não têm tempo para sonhar (…) são uma encruzilhada de vidas e têm que se manter acordadas, atentas a todas essas vidas que passam em si” – Personagem Maria Josefa, in O Senhor das Ilhas, 1994, pg. 17

 

A vida do mar sempre foi para homens de barba rija e mãos grandes e calejadas.

 

As mulheres, que não enfrentavam o mar, viviam os seus efeitos – anseios, frustrações, perdas, amores e desamores… E sendo repositórios das memórias, registavam as estórias dos pais, dos maridos, dos filhos… preservando-as.

 

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História das Histórias.jpg

1. A modéstia do escritor e jornalista Nuno Rebocho levou-o a justificar, logo nas primeiras páginas do livro, porque se abalançou na abordagem de assuntos e temas que são “naturalmente” reservados aos investigadores da área da História e da Antropologia. Na verdade, as coisas não são bem assim, e ainda bem, porque se se puser de lado as dissertações e teses, elaboradas para obtenção de graus académicos, praticamente não há produção de conhecimento sobre a História ou qualquer outra área das Ciências Sociais. E se a investigação é feita, fica restrita aos meios e às publicações universitárias, praticamente inexistentes, e, portanto, sem chegar ao conhecimento do grande público.

 

Apesar de haver em Cabo Verde dez instituições de Ensino Superior, entre universidades e institutos, continua-se a contar pelos dedos das mãos as pessoas que se dedicam de forma sistemática à investigação e à publicação. Aliás, só se compreende o desmantelamento da equipa de elaboração da “História Geral de Cabo Verde” e a sua absorção pela máquina burocrática do Estado, depois de um forte investimento e de aquisição de um significativo know-how, por uma falta grave de estratégia e de política.

 

Num país como o nosso, com uma história extensa e riquíssima, causa estranheza esta pobreza franciscana na área da investigação e das publicações, daí saudar veementemente o aparecimento deste livro e com esta qualidade.

 

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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